Mudar o regime Servir Portugal
Manuel Beninger
Mostrar mensagens com a etiqueta Paiva Couceiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paiva Couceiro. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Diario da Junta Governativa do Norte de Portugal" de 21 de Janeiro de 1919
Aproveitando a instabilidade gerada pelo assassinato do presidente Sidónio Pais, os monárquicos do Porto proclamaram a restauração da Monarquia a 19 de janeiro de 1919, criando uma Junta Governativa, presidida por Paiva Couceiro.
Ao fim de quase um mês – durante o qual os monárquicos do Norte dominaram a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte das Beiras –, a revolta caiu a 13 de fevereiro, com a entrada no Porto das tropas fiéis à República.
Durante o período em que durou a chamada "Monarquia do Norte", foram abolidos os símbolos republicanos e provisoriamente restaurados os monárquicos, designadamente, a bandeira, a moeda e, é claro, também a antiga "orthographia".
[Foto: Clube Filatélico de Portugal]
sábado, 9 de março de 2013
Proclamação da Monarquia do Norte
Documento sobre a proclamação da Monarquia do Norte, de Henrique Paiva Couceiro, ainda tão actual nos nossos dias.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
RESQUÍCIOS LISBOETAS!
Henrique de Paiva Couceiro
Como dizia o grande Solnado, “palavra puxa grunhido, grunhido puxa palavra”, e a verdade é que continua a vir-me à cabeça a estadia em Lisboa. Até parece que foi a primeira vez que ali estive. Mas...
Ficámos num hotel na rua Castilho, como já contei, com uma bela vista sobre parte de Lisboa, e à noite demos ali à volta alguns passeios a pé.
Fui ver, por fora, a casa em que morei com os meus pais aí por 1936, uma esquina da rua P. António Vieira com a Rodrigo da Fonseca e no cimo da rua Castilho a ex-Cadeia Penitenciária, abandonada, que, em Dezembro de 2006, foi alvo duma inescrupulosa vigarice do (des)governo do sr. sócrates, quando pensou que todos os portugueses eram burros e vendeu a Penitenciária, do Estado, a uma pseudo empresa pública, do Estado, para tentar esconder o descalabro que desde há muito vinham apresentando as contas públicas. E parece que até hoje ninguém sabe o que fazer com aquele complexo, mas que vai dar, ou já deu, uma grande negociata, com os amigalhaços, disso ninguém tenha dúvida. Enfim! Depois descontam nos trabalhadores e aposentados!
Mas voltemos à Penitenciária, desta vez em 1919!
Nessa altura alguns monárquicos ainda sonhavam com a restauração da monarquia, e houve uma revolução. Foi a chamada “Monarquia do Norte” comandada por Paiva Couceiro, uma das grandes figuras da história de Portugal do final do século XIX. Uma revoluçãozinha. À moda portuguesa.
Em Lisboa a revolução foi liderada por Aires Dornellas e João de Azevedo Coutinho, outros dois heróis nacionais, monárquicos até à medula, mas não durou mais do que cinco dias! Capitularam perante os republicanos e foram todos “engavetados” nesta Penitenciária.
Eu tenho um livro de autógrafos, que foi do meu bisavô, e que entrou na Penitenciária, até porque também fora preso um sobrinho do meu avô, e é hoje um prazer ler as assinaturas de quase todos os oficiais envolvidos, muitos deles antepassados de amigos e até mesmo de alguns dos meus netos!
Todos, por baixo dos seus nomes, acrescentaram “ex-T.Cel. de Artilharia”, ou “ex-Cap. de Cavalaria”, etc., e muitos deles ainda escreviam “na Cadeia Penitenciária”!
E lá vêm os nomes:
- João de Azevedo Coutinho – Penitenciária de Lisboa – Dia da Paz – 12 Julho 1919 (nesta altura ainda Capitão de Fragata porque se retirara da Marinha na implantação da República!)
- Ayres d’Ornellas – Penitenciária de Lisboa – 12 Julho 1919
- João de Vasconcellos e Sá – ex-major de Cavalaria – Penitenciária... – 18/7/919
- Álvaro César de Mendonça – 12-VII-919
- Augusto Mateus (?) da Costa Veiga – Te.Cel.Eng. ... ?
- Alberto de Almeida Teixeira – ex-Tenente Cel de Artª, com.te do grupo de artª ... ?
- Carlos Maria Sepulveda Velloso – Ex-Com.te do G.E. de L.N (?)
- Antonio Lobo de Portugal e Vasconcelos – ex-cap. de cav. da guarda
- Hermillo Pereira Prostes da Fonseca – cap cav.
- Guilherme Street d’Arriaga e Cunha (Carnide) – ten mil. d’Engª
- João da Cunha Monteiro – te.te milº d’artª a pé
- José Ferreira Lima – of. demitido do reg.to de cav. 4
- Theofilo Duarte – ten. cav. 7
- José Manuel Figueira Freire – capitão de cavalaria
- Jaques...(?) Sena ... (?) – alf. m. d’arta
- Antonio Augusto Parreira – ex-Capitão de Lanceiros 2
- Antonio Lobo Antunes – Capitão de Cavalaria
- Conde de Arrochella – ex deputado por Lisboa
- Fernando Cortez (?) Sampayo e Mello –
- José (Madeira ?) de Almeida
- José Augusto (?) de Almeida
- Gonçalo Casimiro Murgueira
- Jorge Ribeiro
Onde está (?) é porque não se conseguiu decifrar correctamente o nome intermédio na assinatura.
E aqui está uma lista dos monárquicos... perdedores, que algumas semanas mais tarde seriam amnistiados. Alguns decidiram exilar-se e só voltaram a Portugal depois que foi declarada a amnistia geral, em 1925.
A João de Azevedo Coutinho foram-lhe mais tarde reconhecidas todas as suas acções militares e administrativas, reintegrado na Marinha e promovido a vice Almirante honorário.
Todos estes passeios por Lisboa trazem memórias, sem esquecer as “Quentes e boas”, aquelas maravilhosas castanhas assadas embrulhadas em higiénico papel de jornal (!), que nesta época do ano se vendem nas ruas de Lisboa, e quando eu era jovem custava, cada embrulhinho, cinquenta centavos ou um escudo e agora custam um euro! Só 200 vezes mais!
Rio de Janeiro, 19-Nov-10
Francisco Gomes de Amorim
segunda-feira, 9 de julho de 2012
NO ANIVERSARIO DUM HERÓICO GESTO DE PORTUGUEZES
In “Ecos de Guimarães” de 9 de Julho de 1922 (10° aniversário do Ataque a Chaves)
NO ANIVERSARIO DUM HERÓICO GESTO DE PORTUGUEZES
Nota Miguel de Paiva Couceiro: 3 artigos em primeira página:
RECORDANDO UM DIA (P. João L. Caldas)
O nosso jornal honra-se sobremaneira publicando o retrato do bravo Comandante de Chaves que, nestes doze mal-aventurados anos de republica, a tem combatido sem cessar.
Henrique de Paiva Couceiro, o glorioso combatente de Magul, o homem de quem um jornal republicano - o «País» - disse o que vai ler-se :
Henrique de Paiva Couceiro, o glorioso combatente de Magul, o homem de quem um jornal republicano - o «País» - disse o que vai ler-se :
PAIVA Couceiro, com as suas baterias sem pólvora e as suas fileiras sem soldados correndo a Mafra a oferecer ao Rei a sua escada gloriosa, é a encarnação do guerreiro antigo, meio soldado, meio namorado, um pouco de tudo - de pajem e de cavaleiro, de galanteador e de lutador - mas herói sempre, e herói á maneira antiga, isto é, fiel ao seu princípio e ao seu juramento.
Foi o português que melhormente espalhou, em si, a alma lusitana primitiva no que ela tinha de inteiriço; foi em última analise o único adversário sério da Revolução, e o único dentre todos que deixou uma saudade !
Bela alma de herói e de crente ! Guarda da monarquia que jurou defender, e de quem não quis nada em troca da sua fidelidade, foi o último a entregar as chaves do castelo, e fê-lo só depois de pôr ao sol a Espada que tantas vezes cintilara debaixo da Bandeira azul e branca!
.................................................
Homens como Paiva Couceiro não pertencem a um regime, pertencem a uma Pátria e quer esteja no quadro um Rei, quer esteja uma Republica, conservam-se activos para o bem comum.
A Republica precisa de ter ao seu lado esse glorioso adversário, que foi o seu único inimigo na Revolução, mas foi também, de todos os monárquicos, o que ganhou jus á nossa admiração.
Que adira, Esse, porque a Republica dará, em troca os outros aderentes todos...
Pois bem. Couceiro, que tanta falta faz no País e tanto bem podia prestar, continua no exílio com mais oito companheiros enquanto a republica leva a Nacionalidade ao abismo. Exilados enquanto o regabofe republicano continua.
Couceiro combateu a republica em Chaves, combateu-a nos dias de glória do Porto e, cremos bem, há de combate-la ainda amanhã, quando a Causa Monárquica entender que chegou a hora bendita do resgate. Nesse dia Couceiro e os seus colegas de infortúnio hão de enfileirar na vanguarda dos valentes que queiram jogar a vida no combate á republica. São soldados e decididos a quem a Nação ainda um dia há de prestar as homenagens só devidas aos Heróis.
Artigo de Henrique de Paiva Couceiro
SÃO os cavaleiros obrigados a morrer por sua lei e sua terra... »
Assim falou Afonso V a seu filho o Príncipe D. João, armando-o Cavaleiro perante o cadáver ensanguentado do Conde de Marialva, D. João Coutinho, que, no assalto de Arzila, acabava de encontrar morte assinalada e valorosa. São os cavaleiros obrigados a morrer por sua lei e sua terra.» Palavras doutras eras. Mas por isso mesmo palavras apropriadas para aqueles que, como nós, guardam aceso, nos íntimos do peito, o culto do antigo...
Do «antigo» cuja expressão suprema, para nós Portugueses, vem a ser a velha Pátria dos nossos maiores. Essa Pátria que, tendo por base material a estreiteza dum pequeno território, soube criar e alimentar as seivas dum Poder moral tão grande, que trouxe á sua vassalagem efectiva metade do Mundo, e á vassalagem da sua fama, e dos seus prestígios, a outra metade. Deixando desse modo bem demonstrado, pelo argumento convincente do facto histórico, quanto pôde um Povo de inteligência pronta, e coragem intemerata, quando as suas faculdades próprias são guiadas pelos estímulos da crença, pelas culturas da ciência, e pelas vistas largas e patrióticas de Governos nacionais, com estabilidade, competência e continuidade.
Recordações doutras eras. Mas por isso mesmo recordações apropriadas para aqueles que, como nós, representam o protesto vivo contra esse «moderno» que por aí se está decompondo e esfacelando, nos estertores duma falência miserável, cujas voragens tudo sub vertem e perdem, sem que ao menos a honra se salve, como a de Francisco I se salvou na batalha de Pavía.
«São os cavaleiros obrigados a morrer por sua lei e sua terra.» Assim fizeram os nossos Companheiros, cuja perda hoje comemoramos, pedindo a Deus que os conserve na Sua Santa Guarda. Eles cumpriram. E a nossa presença junto á sua sepultura significa que nós estamos prontos para cumprir como eles. Companheiros sempre, apesar da morte. Eles insuflando-nos da Eternidade o espírito da abnegação e do sacrifício, de que foram lição sugestiva. E nós servindo na terra, enquanto o sangue nos pulse nas veias, esses mesmos ideais, e essa mesma Bandeira, da qual, na morte, e na vida, eles e nós, somos permanentemente os mesmos soldados inseparáveis e fieis. Na certeza plena, que nos acompanha e anima, de que esses ideais e essa Bandeira, são os ideais e a Bandeira salvadores da nossa Pátria em perigo.
Julho, 8 - 1922. - H. de Paiva Couceiro.
Artigo de Ayres d’Ornellas
CHAVES
NO DECENNIO passado desde o combate de Chaves até hoje, quantos acontecimentos tem modificado, a um tempo a carta do mundo, a carta das liberdades públicas e até segundo certos reformadores, os próprios alicerces da ordem social! A primeira guerra mundial, como com tão profética propriedade lhe chamou Repington, destruiu a velha Europa do Congresso de Viena, e pelos princípios absurdos em que a democracia quis basear a paz e levantar o novo mundo, deixou em embrião umas vinte e tantas guerras, como dizia também com rara visão o grande soldado que foi o Marechal Wilson ainda há poucos dias barbaramente assassinado.
Porque assim como foi a Escola de Guerra francesa que pela solidez inabalável das doutrinas de Napoleão derrotou e venceu na grande guerra os paradoxos de von Schlieffen erigidos em doutrina de guerra alemã, assim foram a contrario a nebulosidade dos 14 princípios de Wilson e a série de erros intelectuais que constituem os princípios democráticos causadores da série de males de que enferma a Europa incapaz de se reconstruir enquanto a essa reconstrução se quiser dar como base exactamente aquilo que a Guerra tinha por objectivo destruir, o militarismo alemão, melhor e com mais verdade chamado, a unidade alemã.
O que nós temos padecido e estamos passando pelos erros políticos e económicos cometidos pelo regime que nos governa, são factos do domínio público e que os meus colegas na Câmara largamente tem demonstrado.
E a situação actual reclamando, para ser vencida, as energias de todos os portugueses, é de molde a fazer-nos pensar qual séria ela, se em Chaves e Valença têm vencido a dedicada coragem dos nossos combatentes.
Não é uma comemoração destas que pode consentir o escrevermos um artigo político, no sentido actual da palavra. Basta que juntemos agora na mesma saudade inolvidável os que deram a sua vida pela Pátria no combate de há dez anos, e aqueles que iníqua e barbaramente são mantidos ainda num exílio contra o qual protesta diariamente todo o sentimento da nação.
Ainda há pouco Ela aclamou uníssona, de norte a sul, o feito épico de dois dos seus filhos dignos dos melhores tempos da sua historia. Veio essa maravilhosa travessia mostrar-nos que nunca devemos duvidar de nós próprios. É a lição que nos deixou Chaves, e estimo ter hoje ocasião de reunir esses dois excepcionais incitamentos. Nada de desanimar do porvir da Pátria Portuguesa em quanto tiver tais filhos !
AYRES D'ORNELLAS.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
CENTENÁRIO DO COMBATE DE CHAVES - 2ª INCURSÃO MONÁRQUICA
No próximo Domingo, dia 8, cumpre-se um século sobre o Combate de Chaves, de 8 de Julho de 1912, durante a 2ª Incursão Monárquica comandada por Henrique de Paiva Couceiro.
A Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro irá assinalar esta data, numa romagem ao Cemitério Municipal de Chaves, dia 8 pelas 12h.
Com este acto queremos prestar homenagem aos bravos portugueses que, sob o comando de Henrique de Paiva Couceiro, imbuídos de um verdadeiro sentido patriótico e determinados em restaurar a velha bandeira azul e branca e o que ela simbolizava, deram a vida pelo bem que queriam à sua Pátria e ao seu Rei.
...
Apelamos assim a todos aqueles e aquelas que vêem na Instituição Real e na Restauração da Monarquia as vias de um futuro promissor para a Nação Portuguesa, para que se associem a esta homenagem em memória dos Heróis que há um século lutaram com denodo até ao sacrifício das suas próprias vidas pela restauração do princípio Monárquico, em defesa da religião, dos valores, das tradições e dos costumes que desde 5 de Outubro de 1910 estavam a ser atacados e espezinhados pelo regime Republicano.
Compareça, leve a sua bandeira e divulgue esta iniciativa da Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro.
É um interessante recorte dum jornal que fala do 4° aniversário deste ataque a Chaves, que está na wikipedia na página de Paiva Couceiro, de resto aí está tb alguma referencia ao eventos seguinte e alguma ao "combate" propriamente dito mas quanto a uma página sobre o tema e com o que aconteceu não existe.
sexta-feira, 30 de março de 2012
“Vinhais e a Primeira Incursão Monárquica”
“Enquanto pelo país fora se comemorava o 1.º aniversário da Implantação da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1911, na transmontana vila de Vinhais davam-se vivas à Monarquia e à bandeira azul e branca que, por horas, tremulou no edifício dos Paços do Concelho”.
Já se se encontra disponível nas lojas Book-it de Bragança e Chaves a obra “Vinhais no 1.º Aniversário da República: Primeira Incursão Monárquica”, da autoria de Roberto de Morais Afonso, docente e vereador da Câmara Municipal de Vinhais.
Ao longo de 56 páginas de leitura fácil, acompanhadas por ilustrações da época, fica-se a conhecer a tentativa gorada de restaurar a Monarquia em Portugal.
“O capitão Paiva Couceiro tinha entrado no distrito de Bragança, vindo de Espanha, acompanhado por um exército com cerca de 1000 homens, decidido a bater-se por um ideal em que acreditava”, escreve o autor num dos momentos chave da obra.
O desfecho não tardaria a acontecer, com a retirada para território espanhol, após quatro dias de confrontos armados em Vinhais, nos Casares e no Pinheiro Velho.
“Era o fim da Primeira Incursão Monárquica na vila de onde tinha partido, anos antes, rumo à capital portuguesa, o militar e professor Manuel Buiça, um dos regicidas do Terreiro do Paço”, recorda Roberto Afonso.
Com capa de Luís Canotilho e prefácio do criminologista e presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, o livro dá um sério contributo para a História de Vinhais, conforme constata o autarca escalabitano na nota de abertura.sábado, 11 de fevereiro de 2012
Uma Pátria não morre enquanto tiver Homens como Paiva Conceiro, que nos deixou há 68 anos
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (Lisboa, 30 de dezembro de 1861 — Lisboa, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro GCI (Lisboa, 30 de Dezembro de 1861 — Lisboa, 11 de Fevereiro de 1944) foi um militar, administrador colonial e político português que se notabilizou nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique e como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa em 1911, 1912 e 1919. Presidiu ao governo da chamada Monarquia do Norte, de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919, na qual colaboraram activamente os mais notáveis integralistas lusitanos. A sua dedicação à causa monárquica e a sua proximidade aos princípios do Integralismo Lusitano, conduziram-no por diversas vezes ao exílio, antes e depois da instituição do regime do Estado Novo em Portugal.
in Wikipédia
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Grande homenagem a Henrique Paiva Couceiro! - Manifesto Monárquico
«És monárquico? És republicano? (... ) Não to pergunto.
Pergunto-te apenas se és português acima de tudo».
Henrique Paiva Couceiro, in Profissão de Fé, 1944
No próximo dia 11 de Fevereiro passarão 68 anos desde a morte de um homem que nunca desistiu de Portugal: Henrique Mitchell de Paiva Couceiro.
Numa altura de desalento e frustração nacional será bom evocar alguém que sempre colocou o serviço ao seu País antes de si próprio; o que ele acreditava ser o bem comum antes dos interesses pessoais.
Exaltado pelos seus correligionários, respeitado pelos seus adversários, Paiva Couceiro é um herói português. Muitos outros houveram, felizmente; mas ninguém como o grande comandante dedicou toda uma vida a apenas um objectivo: o direito de escolher. Monárquico convicto, íntimo de El-Rei D. Carlos, foi o último dos resistentes à revolução republicana e que não fora a uma ordem superior a que teve contrariado de obedecer (pois tratava-se de ir proteger a família real), o destino do 5 de Outubro poderia ter sido outro.
Caída a monarquia, Paiva Couceiro fez da sua vida a batalha pelo plebiscito: monarquia ou república, ele aceitaria com honra qualquer uma, desde que o povo português fosse ouvido.
Morreu abandonado por quase todos, amigos e inimigos, depois de dois exílios impostos por Salazar. Mas sem nunca abdicar do que acreditava. Sem nunca ter desistido de Portugal.
Mais de sessenta anos passados a luta ainda é a mesma. E iremos evocar o exemplo de Paiva Couceiro num almoço a ter lugar dia 11, às 13 horas na Adega do Norte (Praça do Norte, Encarnação, Olivais Norte. Telefone: 218517206). Convidamos todos os que queiram estar presentes a juntarem-se a nós. Serão lido mensagens da família de Paiva Couceiro, do historiador Filipe Ribeiro de Menezes e do coronel Fernandes Henriques.
Afonso Lopes Vieira escreveu: « "É cedo para falar de Paiva Couceiro. Circunstâncias do tempo e da fortuna não deixariam dizer tôda a verdade acerca do heroísmo e da glória da sua vida - do seu martírio também. Por agora apenas pudemos sentir o luto espiritual em que êle nos deixou. E êsse luto provém da convicção, ao mesmo tempo heróica e angustiada, de que êle foi - o ULTIMO!".
Não é cedo – é agora. E enquanto o exemplo perdurar, nunca será o último. Pelo menos para aqueles que não querem desistir de Portugal.
Inscrições para restauraramonarquia@gmail.com. Preço único (ementa completa):13 euros. Devido à capacidade da sala o número de inscrições é limitado a 70 pessoas.
Prazo limite de inscrições: até às 13 horas do dia 10 de Fevereiro.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Paiva Couceiro nasceu há 150 anos
O Príncipe Real D. Luís Filipe em visita a Angola, com o Governador Henrique Paiva Couceiro (Luanda 1907)
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro GCI (Lisboa, 30 de dezembro de 1861 - Lisboa, 11 de fevereiro de 1944) foi um militar, administrador colonial e político português que se notabilizou nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique e como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa em 1911, 1912 e 1919. Presidiu ao governo da chamada Monarquia do Norte, de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919, na qual colaboraram activamente os mais notáveis integralistas lusitanos. A sua dedicação à causa monárquica e a sua proximidade aos princípios do Integralismo Lusitano, conduziu-o por diversas vezes ao exílio, antes e depois da instituição do regime do Estado Novo em Portugal.
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro nasceu em Lisboa, filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro, notável oficial de engenharia do Exército Português, e de Helena Isabel Teresa Mitchell, uma protestante irlandesa convertida ao catolicismo, que depois de educada num colégio de freiras em França, viera residir em Portugal como mestra das filhas do visconde do Torrão.
Depois de concluir os seus estudos preparatórios em Lisboa, assentou praça a 14 de janeiro de 1879, com 17 anos de idade, como voluntário no Regimento de Cavalaria Lanceiros de El-Rei (o Regimento de Cavalaria n.º 2), no qual serviu até ao ano de 1880. Neste último ano foi transferido para o Regimento de Artilharia n.º 1, como aspirante, frequentando o curso preparatório da arma de artilharia na Escola Politécnica de Lisboa. Ingressou então na Escola do Exército, onde frequentou o curso de Artilharia de 1881 a 1884
A 9 de janeiro de 1884 foi promovido a segundo-tenente de artilharia, servindo no velho Regimento de Artilharia 1, em Campolide.
No Regimento de Artilharia n.º 1 fez parte de um grupo de jovens tenentes que cultivavam as chamadas artes militares, dedicando-se à esgrima e à equitação, desenvolvendo uma carreira militar que não mereceu reparos ou particular destaque. No seguimento dessa carreira, foi promovido a primeiro-tenente em 27 de janeiro de 1886. Foi novamente promovido a 4 de julho de 1889, desta feita ao posto de capitão, oferecendo-se então para realizar, como voluntário, uma comissão de serviço nas colónias ultramarinas, onde então se desenvolvia um esforço de efectiva ocupação do território, consequência da Conferência de Berlim sobre a partição da África entre as potências coloniais europeias. Foi enviado para Angola, desembarcando em Luanda a 1 de setembro de 1889.
Campanhas em Angola
Chegado a Angola foi logo nomeado comandante do Esquadrão Irregular de Cavalaria da Humpata, um grupo de caçadores a cavalo, sediado na vila de Humpata, que fora criado por Artur de Paiva para combater os bandos de salteadores (designados por guerras) que então assolavam o planalto de Moçâmedes. Não permaneceu muito tempo nesse cargo, aparentemente pouco agradado com os métodos e a indisciplina dos seus subordinados, apenas tendo participado numa acção destinada a recuperar gado roubado, em que utilizou exclusivamente soldados e voluntários portugueses, não recorrendo à usual ajuda de mercenários bóeres.
Com o alargamento do esforço de ocupação do interior de Angola e das tentativas de dar sustentação à reclamação portuguesa de soberania sobre a região entre Angola e Moçambique, o famoso mapa cor-de-rosa, foram desencadeadas diversas campanhas de exploração e avassalamento dos povos do interior de Angola. A resistência não se fez esperar e foi iniciada uma vasta campanha militar, designada por Campanha de Pacificação de Angola (1889-1891), na qual Paiva Couceiro se empenhou energicamente.
Com o alargamento do esforço de ocupação do interior de Angola e das tentativas de dar sustentação à reclamação portuguesa de soberania sobre a região entre Angola e Moçambique, o famoso mapa cor-de-rosa, foram desencadeadas diversas campanhas de exploração e avassalamento dos povos do interior de Angola. A resistência não se fez esperar e foi iniciada uma vasta campanha militar, designada por Campanha de Pacificação de Angola (1889-1891), na qual Paiva Couceiro se empenhou energicamente.
Sabedor do conhecimento pormenorizado que o velho comerciante e explorador António Francisco da Silva Porto tinha do sertão, enquanto permaneceu no Bié acampou nas proximidades da embala de Belmonte, a aldeia fundada por Silva Porto nas margens do rio Kuito e onde aquele famoso sertanejo residia. Aquela aldeia foi o núcleo da vila e cidade de Silva Porto dos tempos coloniais portugueses e da hoje cidade de Kuito.
A presença da força militar comandada por Paiva Couceiro, com 40 moçambicanos armados com espingardas de repetição Snider-Enfield, gera grande tensão com as tribos do Bié, inquietas face à presença de tropas portuguesa no seu território, o que levou o soba Dunduma (o Trovão) a exigir a imediata partida das tropas. Face ao incumprimento da promessa de que as tropas estavam apenas de passagem, que lhe fora feita anteriormente por Silva Porto, aquele soba põe término às relações pacíficas de há muito existentes entre os autóctones e Silva Porto, a quem injuria puxando-lhe as barbas e dizendo-lhe que as não merecia, e exige a retirada imediata de Paiva Couceiro, o que este terminantemente recusa.
Num ambiente de pessimismo resultante do ultimato britânico, Silva Porto, ferido na sua honra e dignidade após o fracasso da tentativa de mediação com Dunduma, amortalhou-se na bandeira portuguesa e fez-se explodir com alguns barris de pólvora.
Após a morte de Silva Porto, Paiva Couceiro instala-se brevemente na embala de Belmonte, mas acossado pelas forças do soba do Bié, foi obrigado a retirar-se para o reino vizinho do Bailundo, onde depois de permanecer alguns dias isolado, recebeu ordem do governador-geral Guilherme de Brito Capelo para descer o rio Cubango até Mucusso, uma viagem de 2 600 km por terras desconhecidas.
O objectivo era o avassalamento dos sobas da região, antes que os britânicos o fizessem, e a determinação da navegabilidade do rio. Iniciada no Bailundo a 30 de abril de 1890, a viagem foi épica, dela resultando, para além da feitura dos vassalos que lhe fora determinada (ao todo 16 sobas), um relatório riquíssimo em pormenores etnográficos e geográficos, nalguns casos marcando o primeiro contacto europeu com os povos e terras visitados. Terminada a missão em 30 de julho, dia em que atingiu, finalmente, a embala do soba do Mucusso. Resolveu então descer o rio Cubango de canoa até às ilhas de Gomar, a 65 quilómetros dali, e regressar ao longo do rio até ao Forte Princesa Amélia, no Bié, onde chegou a14 de outubro, depois de cinco meses e meio no mato, em permanente risco de perder a vida e em condições insuportáveis para qualquer europeu. Por este desempenho excepcional receberia a 18 de dezembro de 1890 o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada.
Regressado ao Bié, participou, com as forças de Artur de Paiva, na expedição punitiva que terminou na prisão e deposição do soba Dunduma (ou N’Dunduma) que o ameaçara seis meses antes e na completa subjugação do reino do Bié. Estava vingado o insulto que lhe fora feito e a morte de Silva Porto.
Terminada aquela operação, ainda foi encarregado de ir avassalar os povos da região da Garanganja e explorar os depósitos de sal-gema existentes na margem esquerda do rio Cuanza. Com a sua usual minúcia, Paiva Couceiro descreveu no seu relatório os 453 quilómetros que andou em doze dias, os dois caminhos para a Garanganja que reconheceu e os quatro sobas que avassalou, bem como as salinas que cuidadosamente visitou.
Terminada mais esta operação, voltou a Belmonte, no Cuito, onde se recolheu doente com febres. A 17 de Fevereiro de 1891, o Ministério da Marinha e Ultramar deu por terminada a sua comissão de serviço ultramarino e ordenou o seu regresso a Portugal.
Coberto de glória e fama nacional, pela acção militar notável que conduziu em Humpata e pela sua extraordinária viagem de exploração, agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, foi recebido em Lisboa com rasgados elogios ao seu desempenho nas campanhas de Angola e elevado a grande-oficial da Ordem da Torre e Espada, por decreto de 29 de maio de 1891. Em homenagem aos grandes serviços prestados, e antes de voltar à Metrópole depois de passar um mês no hospital, doente, recebeu da parte do povo da região de Belmonte-Cuito-Benguela uma réplica do colar de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada em ouro, cravejado de diamantes. Esta magnífica condecoração, aliás como todas as outras, desapareceram quando a sua casa em Lisboa foi saqueada durante a revolta de 14 de maio de 1915.
Campanhas em Moçambique
Quando em outubro de 1894 os povos tsonga do sul de Moçambique se rebelaram e atacaram Lourenço Marques, o governo presidido pelo regenerador Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro, nomeou o antigo ministro progressista António Enes para o cargo de comissário régio em Moçambique, com a missão de esmagar a revolta dos povos autóctones e reafirmar a soberania portuguesa sobre a região, então ameaçada pelos britânicos, liderados por Cecil Rhodes, que consideravam os portugueses incapazes de manter a posse do território moçambicano.
Provavelmente devido à sua fama africanista granjeada em Angola, Paiva Couceiro foi convidado e aceitou o convite para o cargo de ajudante de campo do comissário régio em Moçambique. A expedição parte de Lisboa a 8 de dezembro de 1894 e desembarcou em Lourenço Marques a 18 de janeiro de 1895. A situação encontrada não podia ser pior, pois a esmagadora maioria dos régulos da região estava contra os portugueses, estando estes encurralados em Lourenço Marques, incapazes de controlar as imediações da cidade, onde mesmo a ilha Xefina fora ocupada pelos insurgentes.
Provavelmente devido à sua fama africanista granjeada em Angola, Paiva Couceiro foi convidado e aceitou o convite para o cargo de ajudante de campo do comissário régio em Moçambique. A expedição parte de Lisboa a 8 de dezembro de 1894 e desembarcou em Lourenço Marques a 18 de janeiro de 1895. A situação encontrada não podia ser pior, pois a esmagadora maioria dos régulos da região estava contra os portugueses, estando estes encurralados em Lourenço Marques, incapazes de controlar as imediações da cidade, onde mesmo a ilha Xefina fora ocupada pelos insurgentes.
António Enes, estratega arguto, desencadeou um conjunto de campanhas militares, elegendo como principal adversário Gungunhana, o rei dos vátuas e imperador de Gaza, de facto suserano da generalidade das tribos do sul de Moçambique. Nestas campanhas, Paiva Couceiro teve acção notável, particularmente nos combates de Marracuene e Magul, travado a 2 de novembro contra as forças angunes de Gungunhana, sendo ferido neste combate.
No combate de Marracuene, travado a 2 de fevereiro de 1895, Paiva Couceiro ganhou grande destaque, particularmente ao liderar as tropas que repeliram as forças inimigas que tinham penetrado o quadrado defensivo português, uma manobra considerada de extrema dificuldade e que exigia enorme coragem. Em agosto de 1895 foi feito cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis, como prémio pelo seu desempenho em Marracuene.
Regressado a Lourenço Marques, em Março daquele ano Paiva Couceiro voltou a demonstrar a sua coragem e a sua vontade de manter intacta a honra do seu País: vestido à paisana, procurou pessoalmente três correspondentes de jornais ingleses, dois ingleses e um americano, que hostilizavam Portugal na imprensa de Londres. Sovou o 1°, um gigante, no seu estabelecimento; a luta estendeu-se até á rua onde Paiva Couceiro deixou o seu inimigo knock-out. O segundo estava no hotel e levou uma sova sem resistir. O terceiro estava a tomar o aperitivo com amigos; pediu-lhe que se levantasse e perguntou-lhe se era ele que escrevia para o jornal que Couceiro trazia na mão. O jornalista respondeu "yes" e Paiva Couceiro esmurrou-o com o seu punho e o jornal á mistura. O anel de sinete que usava na sua mão esquerda foi partido na escaramuça e, mais tarde, foi oferecido ao Museu da Fortaleza (Lourenço Marques) por seu filho D. Miguel António do Carmo de Noronha de Paiva Couceiro. Mais uma vez, Henrique de Paiva Couceiro utilizou os seus punhos; de armas serviu-se sobretudo da sua espada, como no combate de Marracuene, quando ajudou a fechar o quadrado que tinha sido rompido pelos inimigos. Por este incidente foi repreendido pelo seu Chefe, o Comissário António Ennes, que mais tarde escreveu: repreendi-o sim, mas com vontade de o beijar!
No desenrolar das operações subsequentes, Paiva Couceiro voltou a destacar-se no combate de Magul, travado a 8 de setembro de 1895, onde se portou com grande denodo, num acto do qual o comissário régio António Ennes reconheceu a grande importância ao dizer: "Há-de ver-se que a vitória de Magul perdeu o Gungunhana; a derrota perderia, provavelmente, o distrito de Lourenço Marques. Se não fora Paiva Couceiro, provavelmente, lamentaríamos ainda hoje tamanha desgraça." - in "Portugal em África", março de 1944, p. 76
Demonstrando extraordinária coragem física, Paiva Couceiro ficou célebre, nomeadamente, na luta contra as forças de Gungunhana. Pelos seus feitos militares, foi alvo de diversas condecorações e homenagens, particularmente após o aprisionamento de Gungunhana e a sua extradição para Portugal.
Concluídas as operações de pacificação e preso e deportado o imperador Gungunhana, Paiva Couceiro embarcou em Lourenço Marques a 18 de dezembro de 1895, com destino a Lisboa.
Chegado a Lisboa, em Fevereiro de 1896 foi proclamado Benemérito da Pátria, por decisão unânime das Cortes, como reconhecimento pela apreensão de Gungunhana, e feito comendador da Torre e Espada, com uma pensão anual de 500$000 réis, que de resto nunca recebeu durante a república. Foi o primeiro e provavelmente o único oficial Português a ser agraciado, até hoje, com três graus da Torre e Espada. Mas as honrarias não se ficaram por ali: foi nomeado ajudante-de-campo honorário do rei D. Carlos I de Portugal e seu oficial às ordens, passando a integrar a Casa Militar do Rei, e em Março recebeu a medalha de ouro de valor militar e a Medalha de Prata Rainha D. Amélia, por ter combatido na campanha de Moçambique. Era oficialmente um herói e um benemérito da Pátria.
Vida pessoal
Nesse mesmo ano de 1896 casou com Júlia Maria de Noronha, filha e única herdeira do 3.º conde de Parati, tendo como padrinho do casamento o próprio rei D. Carlos I. Estava completo o seu percurso de ascensão social: era um dos mais prestigiados militares do tempo, ligado agora à principal nobreza e à Casa Real, da qual os condes de Parati, e em especial D. Isabel de Sousa Botelho, a condessa sua sogra, eram íntimos. O casal manteria um estrito catolicismo, tendo a esposa exercido toda a vida o cargo de presidente da Associação Reparadora das Marias dos Sacrários Calvários e, das três filhas do casal, uma, Madre Paiva Couceiro, de seu nome completo Helena Francisca Maria do Carmo de Noronha de Paiva Couceiro, foi freira Doroteia e Madre Superior do Colégio das Doroteias em Benguela; outra, Maria do Carmo de Noronha de Paiva Couceiro, fundadora das Filhas de Maria na Índia, nunca foi freira mas dedicou toda a sua vida a obras religiosas e sociais. A sua memória foi recentemente homenageada pela Roshni Nilaya Alumni Association. A mais velha, Isabel Maria do Carmo de Noronha de Paiva Couceiro, casou com António Carlos Sacramento Calainho de Azevedo que, então Alferes, foi o primeiro porta-bandeira a hastear a bandeira da Monarquia na implantação da Monarquia do Norte em 1919.
Governador de Angola
Tendo falecido no dia 1 de maio daquele ano (1907) o governador-geral de Angola, Eduardo Augusto Ferreira da Costa, aparentemente por sugestão do rei D. Carlos I, o novo Ministro da Marinha e Ultramar, o seu camarada africanista Aires de Ornelas, convida Paiva Couceiro para o lugar de governador-geral de Angola. Este aceita e a 24 de Maio de 1907 é nomeado governador-geral interino, já que a sua patente de capitão não permite a nomeação definitiva. Chegou a Luanda a 17 de junho, iniciando de imediato as suas funções.
O facto de ter sido apoiante de João Franco em boa parte explica ter sido nomeado para o cargo, que obviamente era necessariamente da confiança política do chefe do Governo. Ainda assim, apesar do governo de João Franco ter caído em Fevereiro de 1908, vítima do regicídio que vitimou D. Carlos, Paiva Couceiro manteve-se no cargo até 22 de julho de 1909, realizando um vasto plano de obras de fomento. Comandou pessoalmente as campanhas militares de pacificação das regiões de Cuamato e dos Dembos, expondo-se, como era seu timbre aos inerentes riscos. A sua demissão foi o resultado dos crescentes desentendimentos com o governo de Lisboa, em particular com o presidente do ministério, o regenerador Venceslau de Lima. Foi uma demissão por motu proprio, mas claramente motivada pela frustração causada pela falta de autonomia governativa e de meios.
Os seus objectivos políticos eram claros: (1) ocupar, explorar e guarnecer todo o território até às mais remotas fronteiras para garantir a segurança de pessoas e bens e prevenir qualquer tentativa de interferência externa; (2) promover o desenvolvimento económico da colónia, criando comunicações rápidas e baratas, fixando colonos portugueses, forçando o indigenato ao trabalho e reduzindo o peso do proteccionismo e dos monopólios metropolitanos; e (3) conseguir para o governo provincial um mínimo de autonomia que lhe permitisse agir rapidamente sem ficar dependente do demorado despacho do governo central.
Embora a execução do programa tenha sido difícil, no período de dois anos em que governou Angola houve um progresso sensível, o que foi reconhecido por Norton de Matos muitos anos depois e confirmado pelos estudos de historiadores contemporâneos, entre os quais René Pélissier.
República
Em 1910, aquando da instauração da República, Paiva Couceiro contava-se entre os defensores da causa monárquica. É considerado como o último defensor da Monarquia, um dos poucos que, nesse dia 5 de Outubro, se bateram pelo Trono Secular; com a sua artilharia instalada no Torel, foi o único oficial que fez fogo sobre o acampamento Republicano da Rotunda e o Parque Eduardo VII. Sentindo-se abandonado pelo resto das tropas Monárquicas, e depois de bombardear a Rotunda, marchou para Sintra a fim de se juntar ao Rei. Aí veio a saber que o Rei partira para Mafra; Paiva Couceiro aproximava-se de Mafra quando foi informado que o Rei D. Manuel II tinha embarcado na Ericeira. Por decisão superior, e perante tal situação, recolheu com as suas tropas ao quartel numa altura em que os Republicanos consideravam a luta perdida. A maioria das unidades militares não tinham aderido à revolta, por isso mesmo o almirante Cândido dos Reis, certo da derrota do seu movimento, suicidara-se; se Henrique Paiva Couceiro tivesse sido informado deste acontecimento e da debandada dos Republicanos, teria possivelmente desobedecido aos seus superiores e tomado a iniciativa de continuar o combate até à vitória - que estava quase assegurada - das tropas Monárquicas. Aliás a implantação da República foi festejada com muito pouca convicção; as fotos da Praça do Município, aquando da tomada de posse do Directório Republicano e publicadas na imprensa, fazem crer que a Praça estava a apinhar de gente. Na realidade, como se pode verificar noutras fotos, foram poucas dezenas de pessoas que lá estiveram para festejar.
Apesar de ser conhecido como Monárquico irredutível, logo no dia 6 de Outubro, Paiva Couceiro era procurado por um enviado do Governo Provisório que queria saber o que viria a ser a sua atitude perante o novo regime implantado pela balbúrdia sanguinolenta da Rotunda.Na sua longa entrevista a Joaquim Leitão, Paiva Couceiro conta que respondeu textualmente, a esse enviado: "Reconheço as instituições que o Povo reconhecer. Mas se a opinião do Povo não for unânime, isto é, se o Norte não concordar com o Sul, estarei até ao fim ao lado dos fiéis à tradição. E se acaso se desse uma intervenção estrangeira para sustentar a Monarquia, então passar-me-ia para o lado da República". Sempre o mesmo português de antes quebrar que torcer. Primeiro que tudo, fiel à Pátria e só por isso fiel ao Rei e à Monarquia, diz Óscar Pacheco no seu artigo. E Paiva Couceiro continua a contar ao seu entrevistador: "Depois pedi a minha demissão de oficial. E pedi-a porque, depois de tantos anos de sacrifícios e de trabalhos à sombra das cores azul e branca e dos castelos e quinas da nossa bandeira não me acho com forças para abandonar o símbolo onde me habituei a ler escrita a história do meu País. Fazer com que um símbolo tenha raízes na alma de um povo e inspire respeito a todo o Mundo, é trabalho de muitas gerações. E eu, pela minha parte, acho-me velho para principiar agora o esforço novo que os louros de uma bandeira nova implicam".
Depois da sua "Proposta ao Governo Provisório", de 18 de Março de 1911, e das eleições de 28 de Maio de 1911, que Paiva Couceiro não reconheceu (manifesto de 31 de Maio de 1911), subiu as escadas do Ministério da Guerra e demitiu-se, entregando a sua espada e dizendo "Entrego a minha demissão e saio do País para conspirar. Prendam-me se quiserem". Ninguém lhe respondeu, voltou as costas e deixou o Ministério sem que alguém ousasse prendê-lo.
Incursões monárquicas e pacificação dos dois ramos dos Braganças
Comandou a incursão monárquica de 1911; a 4 de outubro de 1911 as suas tropas entram em Portugal por Cova de Lua, Espinhosela e Vinhais, onde foi hasteada na varanda da Câmara Municipal a bandeira azul e branca, e tomam Chaves. Três dias mais tarde, derrotadas pelas forças republicanas, as tropas de Paiva Couceiro retiram-se para a Galiza.
Em dezembro de 1911 participa nas reuniões que trataram da "questão dinástica" entre D. Manuel II e seu primo D. Miguel e que veio a ter o seu epílogo no Pacto de Dover cujo projecto redige em Londres a 30 de Dezembro de 1911. No seu livro de notas, Paiva Couceiro escreve: "E pôde assim finalmente fixar-se para 30 de Janeiro (1912) a data do encontro das Reaes Pessoas em Dover e o respectivo protocolo. Vindo de facto a realizar-se n'essa data e logar, uma entrevista a sós, entre El-Rei D. Manuel e seu primo D. Miguel de Bragança, n'uma sala do "Lord Warden Hotel", - onde compareceram também o Visconde de Assêca que acompanhava D. Manuel, o Visconde de São João da Pesqueira que acompanhava D. Miguel, e Paiva Couceiro na qualidade de Chefe dos Combatentes, acompanhado por Francisco Pombal. E as assignaturas de El-Rei D. Manuel e do Senhor D. Miguel de Bragança, - consagraram momentaneamente o "Pacto de Dover".
A de 6 de julho de 1912 comanda nova incursão, a 2a incursão monárquica, em que as suas tropas são de novo derrotadas, também em Chaves, a 8 de Julho desse ano.
Durante as Incursões, com as tropas acantonadas na Galiza, havia desafios, como em Portugal, nas esfolhadas. Uma voz desgarrava:
Portuguezes vesti lucto,
Um lucto bem denegrido;
Se Paiva Couceiro não vem,
Portugal está perdido
E outra respondia:
Paiva Couceiro,
Mais uma vez;
Mostra o que vale,
O sangue português
in Couceiro o Capitão Phantasma, Joaquim Leitão, Edição do Autor, Porto 1914, p. 106
Pouco antes da 2a incursão, a 17 de Junho de 1912, foi julgado à revelia pelo Tribunal do Segundo Distrito do Porto:
"No mesmo dia em que o Governo se apresenta às Câmaras (17 de Junho), no Tribunal do Segundo Distrito do Porto eram julgados vários dos incursionistas de Vinhais: padres Domingos Pires, José Maria Fernandes, Abílio Ferreira, Firmino Augusto Martins, Manuel Lopes, David Lopes, o capitão Jorge Camacho, o conde de Mangualde, capitão Remédios da Fonseca, capitão-médico José Augusto Vilas Boas, tenente Figueira, capitão Henrique de Paiva Couceiro. O julgamento realizou-se à revelia, sendo Paiva Couceiro condenado a seis anos de prisão maior celular ou dez anos de degredo e "esta pena relativamente suave foi dada em atenção aos serviços prestados à Pátria". Os restantes foram condenados a seis anos de prisão celular seguidos de dez anos de degredo, ou na alternativa de vinte anos.
Mais tarde, em 1915, de volta ao País após o seu primeiro exílio, foi convidado para Governador de Angola, pelo ainda recente Governo Republicano, representado por Araújo de Sá, Oliveira Jericote e outro, que o procuraram na sua casa de Oeiras. Paiva Couceiro recusou servir o novo regime e instalou-se em Espanha onde preparou a restauração da Monarquia, movimento que ficou conhecido por Monarquia do Norte.
Em 1919 proclamou a Monarquia do Norte, de curta duração, da qual foi o Presidente da Junta Governativa do Reino. Neste período foi activamente apoiado pelos líderes integralistas, entre os quais Luís de Almeida Braga (seu secretário) e António Sardinha. Na tentativa de Monsanto, em Lisboa, foi apoiado por Pequito Rebelo e Hipólito Raposo. Por este papel determinante nas incursões feitas pelos monárquicos e pela sua fidelidade à causa ficou conhecido entre os seus apoiantes por O Paladino.
Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, Paiva Couceiro vê a sua grande oportunidade de lutar pela restauração do regime em que acreditava. Assim, volta a organizar uma incursão dos monárquicos exilados, consegue subverter as instituições da parte do território português que ia do Minho à linha do Vouga, e, em nome do rei D. Manuel II de Portugal, exilado na Grã-Bretanha, e estrategicamente, restaura a Carta Constitucional de 1826.
A 13 de Fevereiro, após o insucesso da Monarquia do Norte, ausentou-se de novo para Madrid. Embora continuasse a viver no estrangeiro, é mais uma vez condenado, assim como António Solari Alegro, pelo Tribunal Militar Especial, reunido a 3 de Dezembro de 1920, a 25 anos de degredo (in "Diário do Minho", Braga 4 de dezembro de 1920). Abrangido por nova "Amnistia", decretada em Janeiro de 1924, volta ao País mas é de novo exilado pelo salazarismo a 16 de setembro de 1935, por seis meses, por ter criticado publicamente a política colonial do regime. Volta para Lisboa, vindo de Tui onde estivera exilado, a 13 de Janeiro de 1937.
Em 1937, depois de voltar a criticar violentamente a política colonial do regime do Estado Novo numa famosa carta dirigida ao Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Oliveira Salazar, a 31 de outubro de 1937, foi preso pela "Policia de Defesa Social e Politica" durante 6 dias a 13 de Novembro desse ano, condenado a dois anos de exílio e forçado a retirar-se da vida política, sendo enviado, apesar dos seus 76 anos, para Granadilla de Abona, colónia espanhola de Santa Cruz de Tenerife, nas Canárias. Em 1939, António de Oliveira Salazar permitiu o seu regresso a Portugal, onde acabou por viver os últimos anos da sua vida.
É curioso constatar que a carta que o Dr. Fernando Pacheco de Amorim escreveu a Salazar, 32 anos mais tarde, em plena guerra colonial, não teve as mesmas consequências para o ilustre antigo Presidente da Liga Popular Monárquica...
Dedicou-se à escrita, tendo publicado uma extensa obra dedicada essencialmente às questões coloniais e à temática do ressurgimento nacional, com um cunho nacionalista que o aproxima do integralismo lusitano.
Condecorações
Ao longo da sua carreira recebeu numerosos louvores e múltiplas condecorações, entre as quais:
Ao longo da sua carreira recebeu numerosos louvores e múltiplas condecorações, entre as quais:
Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada (18 de Dezembro de 1890)
Grande oficial da Ordem Militar da Torre e Espada (29 de Maio de 1891)
Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada (1896)
Medalha de prata de Mérito, Filantropia e Generosidade(1892)
Cavaleiro da Ordem Militar de São Bento de Avis (3 de Agosto de 1895)
Medalha de ouro de Valor Militar (1896)
Medalha de prata Rainha D. Amélia - Expedição a Moçambique (1896)
Grã-cruz da Ordem do Império Colonial (15 de Abril de 1932)









