
Recentemente, os vereadores socialistas da Câmara Municipal de Braga deliberaram abrir concurso público para a venda da Praça da República (Av. Central) e da Praça Conde de Agrolongo (Campo da Vinha), alienação que seria feita em propriedade plena daqueles terrenos, justificando essa opção com a necessidade de interessar os particulares no negócio.
Esse propósito mereceu o repúdio generalizado dos bracarenses e deu azo, no passado dia 6 de Março, a uma acção de rua em que convergiram as organizações de juventude dos diversos partidos políticos representados no nosso concelho, à excepção da JS, formando uma frente unida, para fazerem uma campanha de oposição à Câmara do Eng.º Mesquita Machado, que autocráticamente continua a vender parte da cidade e o seu termo.
Muito mais importante que os cartazes colados e distribuição de denuncia sobre este momentoso assunto, foi o facto de as juventudes, Monárquica, Social-Democrática, Renovadora e Centrista, ultrapassarem divergências de idealismo político, e pragmaticamente encontrarem pontes de identidade, que lhes permitiu levar a efeito esta campanha de denuncia pública.
Os jovens deram uma magistral lição de espírito cívico, de convivência democrática e de empenho de combate político, impossível de concretizar pelos partidos políticos.
De facto, a oposição feita pelos diversos partidos que a constituem, tem, desde sempre, sido débil, com um cariz individualista, que só tem facilitado o exercício do poder pelo contestado líder socialista.
Foi uma boa lição. Espera-se que seja merecedora duma reflexão pelos dirigentes políticos da nossa praça.
Ironicamente, o referido concurso ficou deserto, ninguém apresentou propostas, e, desse modo, a Avenida Central e o Campo da Vinha continuaram, por mais algum tempo, a pertencer a todos nós bracarenses.
Pelo facto, deveríamos congratular-nos.
Mas não. O Presidente da nossa edilidade, não atendendo aos apelos das organizações juvenis do concelho, resolveu abrir novo concurso para a venda das praças, nos termos do anterior, concurso a que se apresentaram dois concorrentes.
E as praças foram vendidas!
Porque todo este processo nos parece politicamente significativo no quadro das próximas eleições autárquicas, entendemos oportuno divulgar a reflexão que sobre ele fazemos.
As alterações do Campo da Vinha e da Avenida Central, onde de têm que articular também todo o processo de reconversão dos "apetecíveis" espaços urbanos envolventes, designadamente o interior do quarteirão delimitado pela rua dos Capelistas, dos Chãos, do Carvalhal, do Carmo e Campo da Vinha, constitui um projecto - um negócio - que envolve largas centenas de milhares de contos (leia-se vários milhões de contos).
O arranjo do Campo da Vinha - ponto de partida de todo esse processo - preocupa a vereação socialista da Câmara desde o anterior mandato, quando foi objecto de um concurso público de ideias; constitui uma das suas promessas eleitorais e deveria ter sido mesmo a "obra emblemática" deste mandato.
Ora, a oito meses do seu termo, o elenco socialista liderado por Mesquita Machado, a braços com o incumprimento daquela promessa, avança a ideia peregrina de vender as praças a promotores privados.
Como perceber então esta história bizarra?
Por um lado, os socialistas precisavam de uma boa desculpa para não concretizar o seu projecto; Tiveram a possibilidade de o abandonar com o pretexto da sua impopularidade para os bracarenses. Não o fizeram e preferiram abrir um novo concurso para a venda das praças. É que os socialistas, experientes destas "andanças" e "conhecedores" do interesse que aquele negócio poderia despertar no meio empresarial local, não "resistiram" à intenção e, mais uma vez, deixaram sobrepor o interesse de particulares ao dos cidadãos bracarenses.
Esta situação não é nova e, se reflectirmos com atenção sobre alguns factos recentes sucedidos na nossa cidade, verificaremos como é preocupante todo este processo.
Lembremos:
O pretexto da construção de um hotel no monte do Picoto - projecto que aparentemente não interessava ninguém, permitindo assim a venda dos terrenos municipais por cem contos - conduziu definitivamente ao assalto daquele monte.
Os terrenos circundantes aos Granjinhos, pelo elevado valor que atingiram na licitação realizada - estava em causa o Sporting de Braga... -, só irão ser rentabilizados com volumetria construtiva abusiva e, ao que sabemos, os projectos em elaboração para o local assim o propõem.
Veremos se com a Avenida Central não irá acontecer o mesmo, sendo o "Zé Pagode", mais uma vez a vítima das agressões que os desmandos da maioria socialista da Câmara provocam na sua cidade.
Embora o Secretário Geral Guterres afirme "cartazmente" que, para os socialistas, os Portugueses não são negocio, tal não é confirmavel quando os Portugueses são bracarenses!!... como se vê na cidade que hoje temos.
Manuel Beninger
(Presidente Nacional da Juventude Monárquica
Coordenador da Comissão Política Distrital de Braga do PPM)
Sem comentários:
Enviar um comentário