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Manuel Beninger

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sábado, 3 de agosto de 2013

D. Fernando II tinha «um espírito conciliador e era um sedutor»

Dom Fernando II, marido da Rainha D. Maria II, tinha “um espírito conciliador e era um sedutor”, afirma a historiadora Maria Antónia Lopes, autora de uma biografia do monarca que mandou construir o Palácio da Pena, em Sintra.
O Rei “é muito conhecido pelo seu mecenato artístico-cultural, nomeadamente a construção do palácio da Pena, mas era um estratega, e muito crítico dos políticos portugueses”, disse a historiadora.
Neste sentido, salientou, esta biografia “traz uma perspetiva nova sobre o Rei, porque consultei a correspondência privada em alemão e essa não tem sido trabalhada pela história política”.
Maria Antónia Lopes realçou à Lusa que "há razões para hoje termos uma boa ideia do monarca, mas era um egocêntrico, orgulhoso, um epicurista, apreciava os prazeres da vida, pela qual era um apaixonado".
A historiadora consultou os arquivos de Coburgo e Gotha, na Alemanha, respeitantes às respetivas famílias reais, com as quais era aparentado o segundo marido da Rainha D. Maria II, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, que chegou a exercer a regência durante dois anos (1853-55), na menoridade de D. Pedro V, com o qual tinha, aliás, “uma relação difícil”.
“D. Pedro V tinha uma péssima imagem do pai e considerava-se infinitamente superior”, disse a historiadora.
“Foi um monarca constitucional, terá evitado uma união com Espanha, em dado momento, mas não se absteve de comentar em privado, nas cartas enviadas para os vários familiares, a política de Lisboa, com a qual se irritava pelas suas intrigas partidárias”, disse.
D. Fernando e a Rainha “tiveram uma relação muitíssimo boa e muito cúmplice”, e “ele foi sempre um pai atento e terno, mas que se desligava dos filhos, chegando eles à idade adulta”.
Maria Antónia Lopes afirmou-se “impressionada com a frieza como o Rei reagiu à morte dos seus filhos", os infantes D. João e D. Fernando, e o Rei D. Pedro V, todos em 1861. “Ele ultrapassou [a situação] com grande facilidade".
A morte da mulher, em 1853, “levou mais tempo, mostrou alguma prostração, mas regressou à vida de festa", afirma a historiadora. "Depois de viúvo, prosseguiu a sua vida agradável, participando em bailes, concertos e saraus. Frequentava muito o teatro, acompanhado pelo filho, D. Luís [que se tornaria Rei após a morte do irmão], e comentou-se os seus casos com atrizes e costureiras de teatro”.
A autora sublinhou a faceta de colecionador de arte do Rei e a de cientista, nomeadamente na área da flora e da climatização. “O Parque da Pena [em Sintra] é uma invenção sua, [onde] fez experiências e colocou plantas e árvores, quando dantes aquilo era um monte seco”.
D. Fernando protagonizou algumas polémicas, nomeadamente em 1869 quando se casou com a cantora lírica Elisa Hensler, que o seu primo Ernesto II de Saxa-Coburgo Gotha nobilitou com o título de Condessa d’Edla, e uma outra quando foi conhecido o seu testamento.
"O testamento ainda hoje é alvo de debate pelos especialistas. O Rei exigiu coisas extraordinárias como a condesssa viver no Paço real das Necessidades, com os infantes".
A historiadora reconheceu "um certa empatia com o biografado, que foi um 'rei-artista' e um sedutor".
Além desta biografia, o Círculo de Leitores edita também este trimestre a de D. Pedro III, filho de D. João V, outro Rei consorte da monarquia portuguesa, ao ter casado com D. Maria I.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Finalmente a Lei das Sesmarias do Sec XXI


Paralelamente à criação do Banco de Terras vai haver  Benefícios fiscais para terrenos agrícola que voluntariamente lá sejam entregues.
Infelizmente tal só vai acontecer após o término do cadastro dos 11 milhões de prédios rústicos existentes no nosso País, processo que sabemos emperrado a norte do Rio Mondego...
Por curiosidade transcrevo, a Lei de D. Fernando já com 637 anos, que inclui a "pérola" da versão á data do nosso Rendimento Social Único.
Porque será que o ÓBVIO demora tanto tempo a acontecer?

"D. Fernando, pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve. Considerando que por todas as partes de nossos reinos há falta de alimentos, de trigo e de cevada, de quais ante todas as Terras e Províncias eram muito abastadas (...) estabelecemos e mandamos que todos os que têm herdades sejam obrigados a lavrá-las e a semeá-las; e se não o puderem fazer as dêem a um lavrador que as lavre e semeie de modo que as herdades que sejam para dar pão sejam todas lavradas e aproveitadas e semeadas de trigo ou cevada ou milho.
Mais ordeno que todos os homens ou mulheres que andem vagueando e pedindo e não tenham mester (...) sejam obrigados a servir em algum ofício. (...) Mando ainda que todos os vadios sejam presos e obrigados pela justiça a servir na lavoura ou em outros mesteres."
D. Fernando, 1375

Paulo Correia Alves
PPM Porto

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

D. Fernando

Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Esta plaquette, a décima segunda do Album das Glórias (1880-1883 e 1902) foi publicada em Novembro de 1880 com o título O senhor D. Fernando, no texto, e o subtítulo Com-sorte, na gravura (cf. http://purl.pt/14828/2/res-523-a_PDF/res-523-a_PDF_24-C-R0150/res-523-a_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf).
Entre outras considerações sobre D. Fernando, o autor desse texto, João Ribaixo (pseudónimo de José Duarte Ramalho Ortigão, 1836-1915), refere:
"Quando em 1868 lhe foi offerecido o throno de Hespanha, elle recusou-o, preferindo ficar em Portugal a cultivar o seu jardim e a colligir as suas majolicas.
Assim como os emissarios gregos ao penetrarem na tenda d'Achiles o surprehenderam a dedilhar uma lyra, como conta Homero, assim os emissarios da futura Revolução ao penetrarem no Palacio das Necessidades encontrarão o habitante d'aquelle velho convento a pintar um prato."

No final do texto pode ainda ler-se o seguinte:
"Ora o Senhor D. Fernando nunca escalou os cidadãos para perceber como elles trabalham por dentro, e é o primeiro dos operarios da fabrica de Sacavem.
Rei pintando louça, elle poderá dizer, sem magoar ninguem, perante a Carta e perante a posteridade, como nasGeorgicas dizia Virgilio, tratando modestamente das abelhas:
In tenui labor; at tenuis non  gloria."
Alguns dos trabalhos executados por D. Fernando em loiça da FLS ainda hoje podem ser apreciados nas colecções do Palácio Nacional da Ajuda e do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
Da estreita ligação do monarca e seus filhos, D. Luís (1838-1889; rei, 1861-1889) e D. Carlos (1863-1908; rei, 1889-1908), à fábrica e ao seu dono, John Stott Howorth (1829-1893), resultaram a atribuição do título de barão a este (1885) e a concessão do título de Real à empresa, a qual poderá ter ocorrido antes dessa data.
Logo após a sua morte, D. Fernando foi homenageado pela FLS através de um prato que apresentava a sua fotografia estampada a preto e a inscrição Em Memória. / D. Fernando II.
Um exemplar desse prato foi exibido na exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009, e uma imagem do mesmo pode ser vista no catálogo do evento.