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Manuel Beninger

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terça-feira, 12 de junho de 2012

Assembleia Legislativa inicia plenário com reforma autárquica na agenda

A reforma territorial autárquica vai ser um dos temas dominantes da sessão plenária de junho da Assembleia Legislativa dos Açores, que começa na terça-feira na Horta, Faial, onde os deputados vão discutir a obrigatoriedade de um referendo local.
O assunto sobe ao plenário com a apresentação do relatório elaborado pela Comissão de Política Geral, aprovado por unanimidade, que defende ser competência da região a criação e extinção de freguesias e rejeita a reforma autárquica imposta pelo executivo português.
Nesta sessão plenária, ainda sobre este tema, os deputados regionais vão também apreciar um projeto de resolução apresentado pelo PPM que defende a obrigatoriedade da realização de um referendo local no quadro da reforma da administração local no arquipélago.
Os deputados, entre outros assuntos, devem também discutir um projeto de resolução do PPM que visa a ampliação e modernização do Porto da Casa, na ilha do Corvo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PPM desafia PS a referendo local sobre a extinção das freguesias

PS, CDU e PPM rejeitam “livro verde” e criar comissão

Assembleia reprova sem debate proposta de fusão de freguesias


A Assembleia Municipal de Braga reprovou, anteontem à noite, com os votos do PS, da CDU, do PPM e da maioria dos presidentes de Junta, a reforma da administração local, que está a ser proposta pelo Governo. A moção “Em defesa do poder local democrático”, apresentada pela deputada do PCP, Carla Cruz, considera que a eliminação de juntas de freguesia prevista no “livro verde” constituiu «um retrocesso civilizacional» e «quase nada contribuirá para reduzir a despesa». A maioria nem sequer admitiu debater a proposta e analisar o tema numa Comissão especializada, como defenderam o PSD o CDS e o Bloco.

Sem debate organizado a nível concelhio, nem propostas construtivas de reorganização das freguesias, Braga arrisca-se, assim, a «ver as suas Juntas redefinidas “a régua e a esquadro”», como alertaram João Granja, do PSD, Francisco Mota, do CDS, e António Lima, do Bloco, que tentaram, em vão, demover a maioria socialista do “veto” à criação de uma Comissão extraordinária para debater e acompanhar a reforma da administração local, que resulta de um compromisso estabelecido com a “troika”, aquando da ajuda externa a Portugal, subscrita pelo PS.

O argumento de que os princípios da «reforma da organização do Estado, com um debate profundo sobre o poder local ao nível das freguesias», até constam do programa eleitoral do PS não convenceram o socialista Marcelino Pires, que classificou o “livro verde” como «uma imposição, sem ouvir ninguém, quando o Governo sabia à partida que uma reforma desta natureza não tinha de ser feita sem o PS». O social-democrata João Granja lamentou «a posição cómoda do PS, que se recusa a debater um tema delicado», considerando que o “livro verde” era tão só uma proposta, que poderia e deveria ser melhorada com o contributo dos autarcas do concelho».


PPM desafia PS a referendo local

«O PS não pode enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que esta reforma não existe e não tem que ser feita», sublinhou o líder da bancada “laranja”, notando que a criação de uma Comissão, proposta pelo CDS, «fazia todo o sentido», mas o PS e a CDU decidiram chumbar essa solução, pelo que, «se vier uma solução imposta pelo Governo, vocês são os grandes responsáveis». «Do PCP já estávamos à espera da demagogia, mas do PS esperávamos mais responsabilidade como acontece em muitos outros concelhos», concluiu João Granja.

Certo é que a moção da CDU foi aprovada com a concordância expressa do PPM, com Manuel Beninger a considerar que «a extinção de freguesias não passa de uma imposição da “troika” e uma subjugação ao poder económico», com o qual «um país soberano não pode pactuar». Beninger afastou-se, assim, dos colegas da coligação, considerando que «a “régua e esquadro” é o que está proposto e já deu maus resultados em África», desafiando a Câmara a «promover um referendo local para saber a posição dos bracarenses sobre esta matéria».

A acusação de «demagogia» motivou ainda a “defesa da honra” do PC, por Raul Peixoto, que acusou o PSD de ser apenas «o representante dos conselhos de administração do capital financeiro». Honra à parte, a moção comunista repudia ainda «a intenção de extinguir freguesias, retirando-lhes as atribuições e legitimidade constitucional própria»; realça que as autarquias têm um importante papel de promoção das condições de vida e da realização do investimento público» e refere que «se algum desajustamento persiste é o que resulta da inexistência de regiões administrativas».

O Bloco, por António Lima, voltou ainda à carga com uma nova proposta para que fosse criada uma Comissão eventual, para debater a reforma com grupos de freguesias, e que, no final, fosse convocada uma Assembleia extraordinária, para tomar posição sobre o assunto. A sentença foi a mesma, com o PS, CDU e Juntas Independentes (excepto João Russel, de Palmeira) a recusarem a proposta bloquista, depois de Marcelino Pires ter acusado o BE de «tentativa de “batota regimental” ao tentar vencer no plenário, o que já tinha sido recusado em conferência de líderes». E com a legitimidade democrática das maiorias e mais ou menos “régua e esquadro”, a moção da CDU vai ser agora enviada ao primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República, aos grupos parlamentares e às associações nacionais de municípios e de freguesias.