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Manuel Beninger

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domingo, 22 de abril de 2012

AM defende reinstalação de Barbearia mas recusa preservar “Sala Egípcia”

A Assembleia Municipal de Braga aprovou, anteontem à noite, uma recomendação à Câmara Municipal para que «faça todos os esforços para que seja encontrado um espaço para reinstalar a histórica Barbearia Matos», recentemente despejada do edifício da Rua do Souto. A mesma Assembleia reprovou, contudo, a classificação da “Sala Egípcia”, localizada na mesma artéria, que ainda não foi despejada.
A recomendação sobre a Barbearia, apresentada pelo PPM, mereceu a unanimidade dos eleitos municipais, depois de Marcelino Pires ter defendido que o Município envidou esforços para que o imóvel fosse classificado, de acordo com uma resposta que, curiosamente, a Câmara tinha remetido horas antes à Mesa da Assembleia.
De acordo com a missiva municipal, desde 2007 que a Câmara fez várias diligências com vista à possível classificação da Barbearia, mas, de acordo com a lei, «não é possível a classificação patrimonial de espólios móveis ou estabelecimentos», tendo a célebre barbearia acabado despejada há poucos dias.
Agora, os eleitos municipais, que em setembro tinham pedido a sua classificação, apelam à Câmara para que apoie a reinstalação do estabelecimento, depois de João Granja do PSD ter manifestado «abertura para que esta possa voltar abrir portas no miolo urbano». «Nada temos a opor, pensamos que até poderia ficar na futura Confiança ou aqui no “GeNeRATion”», concordou Marcelino Pires.
Curiosa foi a atitude dos deputados municipais do PS e dos autarcas independentes, que, chamados a votar em separado a recomendação de classificação da Sala Egípcia como “imóvel de interesse municipal”, reprovaram a iniciativa do monárquico Manuel Beninger, permitindo, assim, que as pinturas únicas daquele espaço continuem a ser diluídas pela humidade que o invade.
A Sala Egípcia motivou ainda um aparte do deputado bloquista António Lima, com este ex-responsável do Sindicato do Comércio, que ocupava aquele espaço, a lembrar que a estrutura sindical estava, então, disponível para comprar e recuperar o imóvel, mas a Câmara recusou dar um aval para que obtivesse financiamento, por se alegadamente proibido. «É proibido proteger património, mas se for para o Sp. Braga já pode», lamentou o deputado, perante a indignação de Mesquita Machado.
A curiosa concepção de defesa do património, espelhada nesta decisão da Assembleia, levou alguns a considerar que «a solução é despejar já a Sala Egípcia, que depois os deputados apoiarão a sua reinstalação».
 Jornal “Diário do Minho” de 22 de Abril, pág. 7
Capa jornal “Diário do Minho” de 22 de Abril

Barbearia do senhor Matos – Mais uma referência que desaparece…

Há coisas na vida que a gente não mais esquece, como sejam certos lugares paradigmáticos que muitas vezes calcorreamos, na azáfama de que hoje em dia ninguém se safa, mesmo que esteja aposentado…
Deambulo frequentemente pela cidade desde há muitos anos, pelo que, como diria o poeta latino Públio Terêncio, e adaptando um pouco a tradução literal, “nada do que é humano me é estranho”, também eu acrescentaria: nada do que é de Braga me é indiferente… por isso foi, com muita mágoa primeiro, depois com grande revolta, que tomei conhecimento da triste notícia: fechou a barbearia do senhor Matos!
Herdada do pai, um simpático barbeiro/calista que atendia os clientes ali por cima da sapataria Arcádia, a quem tive o gosto de pessoalmente conhecer e com quem algumas vezes de bom grado cavaqueei, a dita barbearia era por muitos considerada um verdadeiro ex-líbris desta eterna Bracara Augusta, agora cada vez mais “nova”(…), por obra e graça de certas mãos que hora a hora a vão lamentavelmente descaracterizando…
Ao que parece, nem as prudentes recomendações do ISPAR surtiram qualquer efeito nas intenções dos nossos mandantes; agora, o facto está consumado: por ordem do tribunal, a ação de despejo foi inevitavelmente executada, vencendo a legalidade em desfavor do património. Pena que os homens, tanto os mentores, como os fazedores e executores das leis, nem sempre tenham em conta o bom senso e sensibilidade artística para, através do diálogo e da “concertação”, (como agora está na moda dizer-se…) criarem as condições necessárias de preservação do património que, afinal de contas, é de todos nós; caso contrário, os vestígios histórico/artísticos desta vetusta e nobre cidade de Braga vão sendo lamentavelmente substituídos por “novidades”, quase sempre tão intrusas, quanto bem dispensáveis… 
Doravante, não mais poderei olhar de frente aquela simpática mensagem que o turista japonês ali deixou, visivelmente agradado com o tipicismo da barbearia do senhor Matos.
“Conhecida no Mundo; desprezada em Braga” – que pena e que vergonha! …
PS: O nosso reparo e o nosso lamento igualmente se estendem às já muito deterioradas pinturas da Sala Egípcia, ali bem perto, e onde em tempos não muito distantes funcionaram os serviços do Sindicato dos Empregados do Comércio – é só abandono e degradação, certamente à espera que tudo desapareça quanto antes…
Aguardemos, pois, e serenamente, pelo julgamento da História e da Consciência Colectiva dos Bracarenses...

Domingos Alves

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Assembleia Municipal - Plenário: Sala Egípcia

RECOMENDAÇÃO
IMÓVEL DE INTERESSE MUNICIPAL – SALA EGÍPCIA

A 16 de Setembro de 2011, o PPM apresentou uma Recomendação a esta Assembleia, que a votou favoravelmente, no sentido de a Câmara Municipal de Braga diligenciar todos os esforços para classificar a Barbearia Matos como “imóvel de interesse municipal”. Lamentavelmente, até à presente data, nada foi feito pelo executivo municipal em defesa desta Barbearia singular, entretanto encerrada por ordem do tribunal.
Que dirão os bracarenses à perda deste património?
O que pensarão os turistas que visitaram Braga e conheceram a sua antiga barbearia, quando tomarem conhecimento do seu encerramento?
O que pensam os comerciantes da perda de atractivos no Centro Histórico de Braga?
No passado dia 18 de Abril, comemorou-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Mas mais do que exaltar estas datas, sempre importantes para memória colectiva, devemos pugnar, isso sim, pela defesa real do nosso património material e imaterial bracarense.
Na Rua do Souto, e bem perto da antiga Barbearia Matos, a Sala Egípcia, integrada nas instalações vizinhas do Sindicato dos Empregados do Comércio, apesar da sugestão apresentada pelo IGESPAR à CMB, em 2006, de classifica-la como imóvel de interesse concelhio, chegam-nos notícias segundo as quais as pinturas no estuque, dos anos vinte do séc. XX, estão a diluir-se por erosão da humidade intensa e persistente!
Assim o P.P.M. propõe a esta Assembleia Municipal que se aprove a seguinte recomendação:
1 - Que a Câmara Municipal de Braga diligencie todos os esforços no sentido de classificar como “imóvel de interesse municipal” ao espaço designado por “Sala Egípcia”.
2 - Que a Câmara Municipal de Braga encete todos os esforços no sentido de encontrar um espaço físico, no centro histórico de Braga, para que possa ser transladado e montado todo o espolio da “Barbearia Matos”, para a que a sua reabertura possa vir ser uma realidade, de modo a evitar-se a perda definitiva deste património bracarense.

Manuel Beninger
Grupo Municipal do P.P.M.
na Assembleia Municipal de Braga
20.04.2012
[Posição 1Reprovada, com os votos Contra do PS e restantes votos a Favor;
Posição 2Aprovada por unanimidade]

sábado, 14 de abril de 2012

A BARBEARIA MATOS FECHOU! “Conhecida no Mundo, Desprezada em Braga!”

Às duas horas da madrugada do dia 11 de abril de 2012 o conhecido barbeiro bracarense, Sr Manuel Matos, esvaziava o espaço onde funcionou a secular barbearia da rua do Souto em que seu pai trabalhou e depois geriu, passando o negocio ao filho. Uma barbearia secular, com uma localização especial e um mobiliário que faziam dela uma peça singular em Braga e um exemplo nacional e internacional desse tipo de patrimônio cada vez mais raro e merecedor de uma preservação efetiva.
A Barbearia não resistiu a uma ação de despejo que, finalmente, se cumpriu e, em face à Lei que regula essa matéria, o assunto estava fechado. Mas como é sabido a ASPA, anos atrás, mais precisamente a 26 de fevereiro de 2005, desencadeou o processo de classificação de interesse concelhio tanto para a Barbearia sita num edifício setecentista, como a da famosa Sala Egípcia integrada nas instalações vizinhas do Sindicato dos Empregados do Comércio, entretanto encerradas. E sobre a qual as notícias vagas que nos chegam dizem que as pinturas no estuque dos anos vinte do séc.XX estão a diluir-se por erosão da humidade intensa e persistente.
O pedido de classificação incidia sobre o mobiliário da Barbearia, bancada, cadeiras, espelhos e móvel-lavatório indispensáveis à atividade funcional do barbeiro, desenvolvida num espaço físico concreto. Preservar o mobiliário é, em automático, preservar a atividade profissional e esta dimensão foi sendo valorizada e discutida a par do problema fechado do despejo. O IGESPAR remeteu, em tempo, ou seja, a 8 de fevereiro de 2006, o processo de classificação à Câmara Municipal de Braga para que, no uso de seus poderes, outorgasse favoravelmente essa fundamentada pretensão. No entanto o vetusto Executivo socialista de Braga habitou-nos a um procedimento matreiro e paradoxal: tão ativo foi durante décadas a fazer e promover obras que modificassem e modernizassem a cidade e tão inerte soube e sabe ser em processos de preservação patrimonial!... A inércia cínica funcionou... O dono da loja de roupa masculina e, por aquisição relativamente recente, proprietário do imóvel da dita loja e da Barbearia empenhou-se em ter o que a Lei lhe garantia: a posse do espaço para empreender a sua legitima expansão de negócio, atacando, porém, o direito da cidade de Braga a ver preservada a mais representativa das suas Barbearias.
A 16 de setembro de 2011 a Assembléia Municipal de Braga aprovou, ficando de fora apenas o CDS-PP, a proposta de classificação desencadeada pela ASPA e secundada pelo IGESPAR. Esta iniciativa que partiu do PPM fez renascer a esperança de que a Lei civil iria ser balanceada com a necessidade de preservar um patrimônio que, afinal, é de todos. Mas...
O cinismo autárquico bracarense vai certamente refugiar-se no argumento astuto de que um assunto de direito privado paraliza a ação pública, não podendo esta interferir... Não pode?
Será que o Município de Braga não poderia ter promovido um movimento de concertação de interesses, à margem da questão dirimida em tribunal, abrindo caminho a que uma recomendação que se enquadra na Lei de defesa do Património tivesse viabilidade, ou seja, permitisse salvar a Barbearia?! E será que o Município de Braga não pode impor condições ao projeto que o proprietário do edifício venha a apresentar e que não contemple a manutenção da Barbearia?! Se o Município nada pode fazer então este pais de magníficas e avançadissimas leis é um pais de faz-de-conta e ridiculamente “surrealista”, sobre o qual e com o qual não “vale mesmo a pena” grandes ou pequenas preocupações, nem sequer perder tempo, porque nada é a sério, nada é para tomar seriamente para o Bem de Todos.
No vidro da porta da Barbearia, encimando um comentário enviado em japonês por um turista nipônico, de entre os milhares que de todos os cantos deste Mundo já se deslumbraram in loco com a surpreendente Barbearia Matos, podia ler-se em português: “Conhecida no Mundo, Desprezada em Braga!”
Braga está prestes a, comprovadamente, ter desprezado a sua Barbearia e assim sendo, pergunta-se à Assembléia Municipal que tão diligentemente puxou o assunto para seu seio e deliberou – não há nada, nada, nada mais a fazer? Vossa deliberação foi só para entreter as consciências e fazer um “vira de política local”?
Esperamos, senhores deputados municipais, que a vossa voz se faça ouvir de novo – agora sim, agora é a hora... - e que a vossa determinação e o vosso bom senso nos faça sentir algum orgulho em sermos bracarenses, com tantos séculos de história e herdeiros de um patrimônio a sério. Um patrimônio que continue onde está e não passe só para uma vida de papel ou digital em cartazes à entrada da urbe ou em slides de website-city para mero efeito de propaganda enganosa e mentirosa...
Bracarenses! Escutemos e observemos, atentos, a reação dos nossos lídimos representantes na Assembléia Municipal (ao Executivo Municipal não faço apelos, desconsidero...), que são cidadãos sérios e responsáveis, e não réplicas desqualificadas do espantosamente ôco Conselheiro Acácio do ácido Eça...
Braga, 12 de abril de 2012
Armando Malheiro da Silva
(Presidente da ASPA)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Barbearia Matos fechou portas


Serão só os bracarenses a reagir à perda deste património?
O que pensarão os turistas que visitaram Braga (nacionais e estrangeiros) e conheceram a sua antiga barbearia, quando tomarem conhecimento do seu encerramento forçado? 
O que pensam os comerciantes da perda de atractivos no Centro Histórico de Braga?

A Barbearia Matos foi, ontem de manhã, encerrada por ordem do tribunal. O despejo foi o culminar de um processo judicial que se arrastou durante mais de 10 anos.
A mais antiga barbearia da cidade de Braga foi, ontem, encerrada compulsivamente, por ordem do tribunal, tendo o proprietário até ao final do mês para desocupar totalmente o imóvel.
“Eram umas 10 horas. Estava a começar a cortar o cabelo a um cliente e apareceram-me à porta uns funcionários do tribunal e dois polícias, para executarem a ordem de despejo. Vá lá que ao menos ainda esperaram que acabasse de atender o cliente”, ironizou o proprietário, Manuel Matos, sem esconder a “mágoa” que lhe vai na alma.
O despejo foi o culminar de um processo judicial que se arrastou durante mais de 10 anos.
Em Setembro de 2011, a Assembleia Municipal aprovou por maioria, apenas com a abstenção do CDS-PP, uma recomendação apresentada pelo PPM, para que a câmara municipal desenvolvesse “todos os esforços” no sentido de classificar aquela barbearia como imóvel de interesse municipal.
“A partir desse momento, ganhei uma nova esperança de que não me fechassem a casa, mas afinal estava enganado. Eu perco o meu local de trabalho, mas quem perde mais é a cidade. Perde uma casa cheia de história e de histórias, apenas e só porque alguém quer ampliar uma loja de roupa”, criticou Manuel Matos.

Paragem “obrigatória”
Com 59 anos de idade, “praticamente todos” passados naquela histórica barbearia da rua do Souto, Manuel Matos garante que o seu futuro imediato passa pelo desemprego. “Não me sinto com coragem para recomeçar noutro local”, desabafa.
A Barbearia Matos tem mais de 100 anos, está há 60 instalada na rua do Souto e passou de pai para filho.
O edifício terá sido construído na transição do século 17 para 18, tendo como elementos de destaque a porta do fundo, o mosaico e o azulejo. A barbearia conservava o mobiliário da casa-mãe, como espelhos, bancada, móvel lavatório, cadeiras de ferro e de madeira, entre outras peças. Entre a “decoração”, sobressaía uma tabela de preços datada de 1 de Fevereiro de 1924, quando se pagava um escudo (meio cêntimo) por fazer a barba e o dobro por um corte de cabelo.
Tudo isto contribuiu para que o estabelecimento de Manuel Matos se tenha transformado num ponto turístico de Braga, sendo ponto de paragem “obrigatória” para muitos que demandam a cidade.
O contrato de arrendamento, com décadas, era precário, tendo entretanto o senhorio movido uma acção de despejo. “Esta barbearia só faz sentido aqui, nesta rua e neste espaço”, frisou o inquilino, desabafando que o contrato “é do tempo em que a palavra de um homem valia mais do que um papel”.
Jornal "Correio do Minho" de 12 de Abril, pág. 8

Barbearia mais antiga da cidade despejada por ordem do tribunal

A Barbearia Matos, considerada a mais antiga da cidade de Braga, foi ontem despejada coercivamente por ordem do tribunal. Depois de um processo judicial que se arrastou durante mais de dez anos, o emblemático estabelecimento localizado na rua do Souto, ponto de atração turística, foi obrigado a fechar as portas, tendo o proprietário até ao fim deste mês para desocupar totalmente o espaço de que era arrendatário.
«Como eu tinha um contrato precário, o tribunal acabou por decidir pelo despejo da barbearia», lamentou Manuel Matos, apontando o dedo à Câmara de Braga por «nada ter feito» para manter este ponto de atração turística, apesar de receber em 2005 uma recomendação do IGESPAR para a classificação da barbearia como imóvel de interesse municipal e mais recentemente, em meados de setembro do ano passado, a Assembleia Municipal ter aprovado, por maioria, com a abstenção do CDS-PP, uma recomendação apresentada pelo PPM no mesmo sentido
Eram cerca das 10h00, estava Manuel Matos a começar a cortar o cabelo a um cliente, quando foi abordado por funcionários do tribunal e dois polícias, para que fosse executada a ordem de despejo. «Ao menos ainda esperaram que acabasse o trabalho», disse o barbeiro, que já estava à espera deste desfecho, mas ainda tinha uma réstia de esperança de que a execução não avançasse por força da recomendação aprovada na Assembleia Municipal.
«Pensei que a Câmara tivesse interferido para que a barbearia não encerrasse, mas o tribunal apareceu aqui e encerrou a barbearia. É sinal de que a Câmara de Braga nada fez», lamentou Manuel Matos, visivelmente magoado e com a voz trémula.
A Barbearia Matos, que passou de pai para filho, estava instalada na rua do Souto há cerca de 60 anos, mas já tinha mais de 100 anos. O contrato de arrendamento, com décadas, era precário, tendo o senhorio movido uma ação de despejo. «É mais um espaço magnífico, talvez único na Europa, que deixam encerrar. É a gente que temos, o país espelha bem esta situação», atirou o barbeiro.
Para já está posta de lado a possibilidade de Manuel Matos instalar a barbearia noutro sítio da cidade. «Não faz sentido. A barbearia só faz sentido neste espaço, era aqui que as pessoas a conheciam e gostavam de vir», realçou.
Com 59 anos de idade, grande parte deles passados na barbearia “herdada” do pai, Manuel Matos diz que o seu destino agora é o desemprego.
Numa última tentativa, desafia a Câmara de Braga a tomar diligências, no sentido de fazer com que seja possível reverter o processo para que a barbearia se possa manter naquele imóvel, na rua do Souto.
No momento do despejo algumas pessoas, entre as quais clientes assíduos, concentraram-se junto à barbearia e manifestaram a sua indignação e revolta pelo encerramento do estabelecimento secular.
«Não se compreende como é que esta casa não foi declarada de interesse público. Isto é muito mais do que uma barbearia, é um espaço de tertúlia, local de convívio, ponto de atração turística, passam aqui dezenas e dezenas de turistas», disse Luís Filipe Fonseca, de 80 anos de idade, um dos clientes habituais da Barbearia Matos.
No final quando viu a porta da barbearia a ser fechada, este comerciante, proprietário da loja em frente, não conteve as lágrimas. «Isto é uma autêntica desgraça na rua do Souto.
Paravam aqui centenas de pessoas para ver a barbearia que continha objetos muito antigos e despertava muito a atenção das pessoas», referiu.
O estabelecimento conservava o mobiliário da casa-mãe, como espelhos, bancada, móvel lavatório, cadeiras de ferro e de madeira, entre outras peças. Agora, restam dois grandes balcões que também têm de sair até ao fim do mês.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Barbearia Matos salva pelo interesse municipal

Jornal de Notícias - A Assembleia Municipal de Braga aprovou, por maioria, a classificação da barbearia mais antiga da cidade como imóvel de interesse municipal. Só o CDS-PP se absteve, contando a proposta avançada pelo eleito do PPM, Manuel Beninger, com os votos favoráveis dos eleitos do PS, PSD, CDU, BE e PPM.

Ameaçada de encerramento compulsivo, após notificação do proprietário, depois de uma acção de despejo, a Barbearia Matos poderá estar, pelo menos, a salvo da destruição, mas a degradação será sempre uma consequência provável, após o fecho.


Classificação


A Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural de Braga (ASPA) avançou, em Fevereiro de 2005, com o pedido de classificação do imóvel junto do IPPAR, tendo este organismo remetido o processo, em 8 de Fevereiro de 2006, para a Câmara de Braga, sugerindo a classificação de “Imóvel de interesse municipal”.

“Porque até à data nada foi feito, o PPM teme que a Barbearia Matos possa ser integrada, de forma incaracterística, num futuro projecto comercial para o edifício, perdendo, assim, aquilo que a torna única”, refere Manuel Beninger, na proposta aprovada em Assembleia Municipal e que agora deverá ser aplicada pela Câmara.

Porém, o PPM não se opõe ao projecto de recuperação e reabilitação do prédio onde está instalada a barbearia, na Rua do Souto. “Apenas queremos salvaguardar que as intervenções respeitem as mais valias daqueles espaços, que a prazo, podem tornar-se proveitosos”, alerta Beninger. Lembre-se que Braga se depara, à imagem de outras cidades, com uma acentuada degradação dos prédios antigos do seu Centro Histórico. Um levantamento recente apontava para cerca de 400 imóveis a ameaças ruína.

Jornal de Notícias” de 19 de Setembro, pág. 44

domingo, 18 de setembro de 2011

AM de Braga aprova recomendação para classificar Barbearia Matos

Mais sorte teve a proposta também do deputado do PPM para a classificação da Barbearia Matos, na rua do Souto, como Imóvel de Interesse Municipal. A recomendação foi aprovada sem votos contra, mas com quatro abstenções.

O objectivo da recomendação é classificar o imóvel e a barbearia, com mais de um século de existência, impedindo assim a concretização da ordem de despejo e o encerramento da barbearia, decretada pelo tribunal.

No texto, Manuel Beninger lembrou que a barbearia é visitada por gentes dos quatro cantos do mundo, graças sobretudo à sua decoração, mosaicos e azulejos; e ao mobiliário dos primeiros anos do século XX. O PPM teme que o estabelecimento seja integrado de forma incaracterística num futuro projecto comercial.

Jornal “Diário do Minho” de 18 de Setembro, pág. 6

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Assembleia Municipal - Plenário: Barbearia Matos

RECOMENDAÇÃO

“Barbearia Matos"


A Barbearia Matos, localizada na casa de Teodósio de Almeida, em pleno centro histórico de Braga, tem mais de 100 anos, 60 dos quais instalada no rés-do-chão do número 21 da Rua do Souto.

A Barbearia Matos foi visitada por milhares de turistas, vindos dos quatro cantos do Mundo, que tiravam fotografias, apreciavam o ambiente e o mobiliário, cuidadosamente conservados, como se por momentos estivessem na Braga de inícios de novecentos.

O edifício terá sido construído na transição do século XVII para XVIII, tendo como elementos de destaque a porta do fundo, o mosaico e o azulejo.

A barbearia conserva o mobiliário da casa-mãe, como espelhos, bancada, móvel lavatório, cadeiras de ferro e de madeira, entre outras peças.

Entre a "decoração", sobressai uma tabela de preços datada de 1 de fevereiro de 1924, quando se pagava um escudo (meio cêntimo) por fazer a barba e o dobro por um corte de cabelo.

Tudo isto contribui para que o estabelecimento se tenha transformado num ponto turístico de Braga, sendo ponto de paragem "obrigatória" para muitos que demandam a cidade.

O Tribunal judicial de Braga decretou o despejo e o encerramento da barbearia, devido à fragilidade do contrato de arrendamento inicial.

Em 26 de Fevereiro 2005, a Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural de Braga (ASPA) avançou com o pedido de classificação do imóvel junto do IPPAR (actual IGESPAR), tendo este em 8 de Fevereiro de 2006, remetido o processo à Câmara Municipal de Braga, sugerindo a classificação de "Imóvel de interesse municipal".

Porque até à data nada foi feito, leva o PPM a temer que a Barbearia Matos possa ser integrada, de forma incaracterística, num futuro projecto comercial para o edifício, perdendo, assim, aquilo que a torna única.

Entenda-se que o PPM não está contra o projecto de recuperação/reabilitação do prédio em causa, apenas quer salvaguardar que as intervenções respeitem as mais valias daqueles espaços, que, a prazo, podem tornar-se proveitosos.

Apesar do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) ter dado um parecer positivo à declaração de interesse municipal, transferindo o processo para as mãos da autarquia, nada mudou até à data.


Neste sentido, e porque o património não é apenas pedras e edifícios, mas também as pessoas e as actividades, o P.P.M. propõe a esta Assembleia Municipal que se aprove a seguinte recomendação:

Que a Câmara Municipal de Braga diligencie todos os esforços no sentido de classificar como “imóvel de interesse municipal” ao espaço designado “Barbearia Matos”.


Manuel Beninger

Grupo Municipal do P.P.M. na Assembleia Municipal de Braga

[Recomendação Aprovada por Maioria, com a Abstenção do CDS e restantes votos a Favor]

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Barbearia Matos

Em pleno centro histórico de Braga encontra-se uma das barbearias mais antigas da cidade. O local é visitado por centenas de turistas devido ao mobiliário cuidadosamente conservado, como as cadeiras de ferro, os espelhos e a bancada. Ao entrar aqui irá sentir-se na Braga de inícios de novecentos.