Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um filho do povo preside à Real Associação do Ribatejo


Filho do povo e sem títulos académicos, como sublinha, José Carlos Ramalho reconhece que é difícil mobilizar pessoas para a causa sem ter nada para dar em troca. Natural de Benavente, passou parte da infância em Marinhais, fez a vida profissional em Lisboa e actualmente vive em Almeirim. Diz que falta sensibilidade a alguns autarcas para a preservação do nosso património histórico e admite que não acredita vir a assistir à restauração da monarquia. Uma entrevista na altura em que a Real Associação do Ribatejo celebra 25 anos.
"Se mandarem os reis embora, hão-de tornar a chamá-los". O vaticínio é atribuído a Alexandre Herculano, encontra-se inscrito no blogue da Real Associação do Ribatejo na Internet, mas até à data não se concretizou. Pelos vistos os portugueses não sentem saudades da monarquia.
Só passaram cem anos e a manipulação existe não só na falta de informação que chega à população como também nas próprias escolas. As nossas criancinhas, e eu vejo pela minha neta, quando chegam ao 25 de Abril escrevem de acordo com aquilo que os professores querem que elas escrevam. Estão a ser formatadas.
É o reflexo da História ser escrita pelos vencedores, como se costuma dizer.
Mas pode ser uma História mentirosa. A República faliu pela segunda vez e a democracia não entrou em Portugal com o 25 de Abril. Entrou para aí em 1820 quando veio o rei maçon D. Pedro brigar com o irmão D. Miguel e instituir a Carta Liberal.
O regime democrático ainda continua a ser o menos mau, dizia Churchill.
Sim, mas eu não sei exactamente o que é a democracia. Ainda tive esperança no 25 de Abril de 1974 de viver em democracia, mas realmente vivemos é numa partidocracia. Não tenho dúvidas. Dos partidos políticos sai aquela gente que faz as leis, que vai governar, etc... E depois, quando terminam os seus mandatos de Governo ou de deputados, arranjam sempre uns lugares nas administrações de empresas, como Jorge Coelho ou Ferreira do Amaral.
Esse argumentário podia ser perfeitamente partilhado pelos líderes do PCP ou do Bloco de Esquerda.
São coisas concretas, reais, e tanto se dá que as digam o PCP ou outro partido qualquer. O que nos interessa é a verdade.
Pode dizer-se que a causa monárquica está bem viva no Ribatejo?
A causa monárquica tem uma implantação territorial por distrito. Temos inscritas na Real Associação do Ribatejo cerca de 636 pessoas. No Ribatejo acompanhamos 30 municípios, o que é muito. Em termos de actuação prática temos muita dificuldade porque por vezes as pessoas só aderem a certas causas se tirarem alguns dividendos. Temos grandes dificuldades em realizar acções, precisamente por isso. Além disso, as pessoas não têm dinheiro e a nossa perspectiva a curto prazo também não é concretizável, dado o sistema que se implantou.
Em termos políticos não há praticamente organização. Não há movimentos monárquicos a concorrer, por exemplo, nas eleições autárquicas. Porquê?
Essa é uma questão para os partidos políticos.
Mas existe um Partido Popular Monárquico.
Mas não tem nada a ver connosco. É um partido da República também, só que é formado por gente monárquica. Aliás, é um partido que até há bem pouco tempo teve uma pessoa à frente que é, direi, inimiga do senhor D. Duarte. É um senhor que canta o fado e de que me abstenho de dizer o nome.
Não seria lógico que os monárquicos se agregassem em torno do seu partido?
Não. A monarquia está acima dos partidos políticos, embora haja muita gente nos partidos que é adepta da causa. E ainda bem, deviam ser todos, porque é uma questão de regime que está em causa.
As ideias monárquicas são muitas vezes associadas a certos conceitos ou tradições, como a festa brava, o fado ou o mundo rural. Faz sentido essa conexão?
Faz todo o sentido. Quem, mais do que o arquitecto Ribeiro Teles, defendeu as questões ecológicas? Quem é que a nível das organizações se indignou contra a construção de tantos estádios de futebol em vez de terem construído hospitais? Foi o senhor D. Duarte. Os monárquicos interessam-se por tudo e na zona do Ribatejo a tourada para nós é muito importante. Mas respeitamos quem não gosta. Não gostamos nada é do fanatismo.
Santarém, Tomar, Almeirim e Salvaterra de Magos são localidades que tiveram muita importância em certos períodos da monarquia. Essa memória tem sido bem preservada?
Talvez não tenha sido muito bem preservada nalguns casos. Tem a ver com a sensibilidade dos autarcas. Mas, curiosamente, em Salvaterra de Magos, onde é presidente uma senhora do Bloco de Esquerda, já vi coisas muito interessantes, como a recuperação da falcoaria. Há dias houve lá uma representação sobre a chegada da corte a Salvaterra. Tenho visto coisas muito bem feitas por aí.
O antigo Paço dos Negros, em Almeirim, merecia mais atenção?
Em Almeirim, pelo que me apercebo, os vestígios foram quase todos apagados. Há um projecto de um arquitecto que seria de desenvolver, de construir uma réplica virtual desses sinais, à semelhança do que acontece no centro de interpretação da batalha de Aljubarrota.

Nota de rodapé:
Nós somos um pequeno partido político que aspira a um regime monárquico, diferente do regime republicano actual.
Integrados num regime democrático dai a possibilidade da nossa existência.
Apesar de antigos, no regime democrático português, trazemos connosco a força de uma mudança profunda: o desejo de ver INSTAURADA A MONARQUIA PORTUGUESA.
Ah! Ribeiro Telles também pertenceu o um partido da república. O PPM...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Visita do Vereador carioca Paulo Pinheiro a Braga (IV) - Reunião com os partidos políticos

 Ricardo Rio e João Granja - PSD

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 António Machado - PPM, presidente da Junta de freguesia de Fraião
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 Delegação do CDS-PP
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Vereador Hugo Pires - PS
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 Paula Nogueira e António Lima - BE

sábado, 14 de julho de 2012

SAUDADE DE HENRIQUE BARRILARO RUAS

Faz hoje onze anos que faleceu Henrique Barrilaro Ruas.
Deixou-nos um Legado que temos que preservar. O seu Amor a Deus, à Pátria e ao Rei, foram a constante de uma vida vivida na defesa do um Ideário que as novas gerações têm que conhecer e cultivar.
Portugal precisa de um Escol, e Homens como Henrique Barrilaro Ruas fazem falta para o preparar.
Curvo-me perante a Sua Memória.

Henrique José Barrilaro Fernandes Ruas nasceu na Figueira da Foz, a 23 de Março de 1921. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi assistente da Faculdade de Letras de Lisboa e antigo Bolseiro do Instituto de Alta Cultura, da Fundação Gulbenkian e do Governo Francês.
Muito cedo entrou no plano das responsabilidades sociais, como Presidente do Centro Académico de Democracia Cristã (Coimbra, 1942-43) em Coimbra, foi um dos fundadores do Centro Nacional de Cultura, da revista de cultura monárquica Cidade Nova (Coimbra), e dos movimentos políticos Instituto António Sardinha e Renovação Portuguesa.
Participou na Causa Monárquica em diversos períodos, sob a direcção dos Secretários-Gerais Fernando de Sousa e Carlos Lopes Moreira e do Lugar-Tenente António de Sèves. Dirigiu um Círculo ou Centro de Estudos da Juventude Monárquica de Coimbra (ca. 1945/46) e foi director de Doutrinação e Propaganda (1955-57) e presidente da Comissão de Estudos Doutrinários (1966-68), vindo a demitir-se por discordar do conservadorismo exagerado da Causa, descrito em Âpendice do seu livro A Liberdade e o Rei.
Foi dirigente da Convergência Monárquica e Candidato a deputado pela lista oposicionista da Comissão Eleitoral Monárquica (1969). Foi membro do Conselho de Lugar-Tenência e do Conselho Privado do Duque de Bragança. No 3º Congresso da Oposição Democrática de Aveiro em 1973 (designação que, a seu pedido, substitui o de Congresso da Oposição Republicana) defendeu o urgente derrube do regime para que "os povos do Ultramar sejam senhores dos seus próprios destinos".
Após o 25 de Abril de 1974, integrou o PPM sendo dirigente e deputado à Assembleia da República (1979-83).

« Durante a I República, os monárquicos queriam restaurar a Monarquia contra o Governo. Na II República, a maioria pretendia a Monarquia através do Governo. Nesta III República, a posição dos monárquicos, pelo menos a dos mais significativos, que são os que aparecem agrupados em instituições, em forças políticas, é completamente diferente: defendemos que a Monarquia deve ser restaurada, ou instaurada, quando e da forma que o Povo Português quiser.
Mas a partir de 1974 foi visível, creio que cada vez mais visível, a degenerescência da República. Durante o consulado de Salazar ela mantivera-se com a estabilidade que todos conhecemos, e de certo modo lhe censurámos, que era uma estabilidade artificial, mas que lhe dava uma certa respeitabilidade. Depois do 25 de Abril voltou-se em grande parte à I República, à balbúrdia, não tão sanguinolenta, mas sem deixar de ter aspectos de violência – não podemos fechar os olhos ao que se passou no Ultramar. Mesmo na Metrópole, a existência de formas larvadas de violência, de ódios de classe, é qualquer coisa de muito forte, e a própria intriga palaciana dentro e fora dos partidos, à volta dos Governos, em torno dos Presidentes, constituem outros tantos argumentos a favor da Monarquia. Quer dizer, a República está a afundar-se. É um espectáculo deprimente, degradante. É preciso encontrar uma forma de equilíbrio que só pode estar para além do próprio jogo dos interesses em presença, quer económicos quer outros.
Contudo, penso que o facto de as características desta III República serem muito diferentes não nos deve deixar esquecer que o principal para a Restauração da Monarquia é a reforma da mentalidade. Sem uma verdadeira e profunda reforma não faz sentido instaurar a Monarquia, pois as diversas reformas do Estado perdem-se, e hoje é muito fácil destruir num dia o que se construiu na véspera. Portanto, sem uma reforma profunda da atitude mental das populações é muito pouco valiosa qualquer reforma estrutural
Henrique Barrilaro Ruas, Portugueses. 
Henrique Barrilaro Ruas de perfil à sua esquerda, Rolão Preto de costas, Mário Saraiva à sua direita e Frederico de Sá Perry Vidal de pé, num almoço na Quinta de Águia de Pina, em Santarém, no qual se discutiram os pormenores do lançamento do movimento da Renovação Portuguesa.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Big brother monárquico bracarensis!


Atingimos a nossa primeira meta. Ultrapassar os 500 "olheiros" diários. Poucos, dirão muitos. Muito poucos dirão a maioria. Pois bem, para um partido, pequeno, onde muitos já tinham vaticinado o seu fim e feito o respectivo enterro, com carpideiras e foguetório, direi que é … Isso mesmo, é …

No dia 7 de Dezembro, atingimos os 653 curiosos. A todos esses agradeço. A todos esses dedico a minha "paixão".
Pretendo, como sempre desejei, nada impor partidariamente, assumir somente um palco de reflexão, onde se possa interiorizar novos conceitos e obter outros ângulos de visão para outras tantas abordagens.
Ribeiro Telles, ontem homenageado, era o meu “herói” enquanto pequeno. Abraçava as páginas de leitura do MEC. Barrilaro Ruas o meu mestre. Calava-me para ouvir o João, o Camossa. Deliciava-me com as histórias hilariantes dos “Menezes”, tanto do Amadeu como do Fernando. Aprender a ser irreverente como o Luís Coimbra. António Moniz Palme, com Vizela, fez-me acreditar quão importante era a defesa da causa pública.
Entre muitos outros, bravos e combativos, essa foi a minha “raiz” política.
Por mais inovadores que tenhamos sido em muitas áreas, pioneiros no ambiente, defensores das tradições portuguesas, preocupados com a agricultura e únicos, estatutariamente e programaticamente, na defesa da restauração da monarquia, sabemos tão bem como foram os resultados eleitorais durante décadas.

Continuo a mover-me por causas, por valores e por princípios. E assim será e assim continuará.
Bem hajam
MB

Prendas de Natal. Para me darem, ou aos outros

Já aqui tinha dito que o Miguel Esteves Cardoso em 1987 tinha razão sobre o que dizia da Europa - ontem ele próprio o veio afirmar, na sua habitual coluna no Público. Também ontem, o Diogo Freitas do Amaral, na SIC, referiu-se ao PPM da altura de Ribeiro Telles como "o pequeno partido que tinha sempre razão sobre as coisas e que não tendo votos, mesmo assim, conseguia convencer os outros partidos". Na verdade, o PPM conseguiu ser pioneiro de todas as verdades consensuais que hoje existem na política portuguesa relativamente à ecologia, à organização das cidades e à importância da agricultura. Ficou a razão, muita, e o proveito, pouco.

Na sessão de homenagem a Ribeiro Telles, em que Freitas do Amaral proferiu estas palavras, outro dos oradores foi Miguel Sousa Tavares. A determinada altura, prendeu-me a atenção com uma frase: "todos estamos a agradecer ao Gonçalo, mas todos nós, portugueses, devemos-lhe é um pedido de desculpas". A tónica manteve-se, Ribeiro Telles, e por consequência o seu PPM, tiveram quase sempre razão antes do tempo.

Nota-se agora que não foi só nas questões ambientais que o PPM teve razão. Realmente, quando o MEC foi candidato ao Parlamento Europeu, por duas vezes, também a visão de uma Europa que nos ia levar ao fim quase total da nossa soberania se revelou como um certeiro presságio. Hoje aqui estamos, com os olhos postos num eixo Franco-Alemão que nos garante quase tudo, menos a nossa existência enquanto estado, país e cultura independente.

Este livro, que aconselho vivamente para o Natal, é um conjunto de crónicas do MEC no "O Independente", as quais ele apelidou de "As minhas aventuras na república portuguesa". Aqui narram-se as duas candidaturas ao Parlamento Europeu e as duas respectivas derrotas tangenciais, fala-se também de amores, amizades, vícios e de uma unidade europeia que era vista com desconfiança. Merece ser lido e relido.

Hoje, como há umas décadas, faz-nos falta um "PPM" com aquela craveira intelectual e aquele pensamento à frente do seu tempo - certamente que daria um excelente contributo a esta AD que nos governa, na minha opinião bem, pelo menos dentro do possível nesta conjectura.

Fonte: Forte Apache

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

“Os governantes não conhecem o país”. Quem o diz é Gonçalo Ribeiro Telles

O arquitecto, político e professor é foi hoje homenageado em Lisboa.

Gonçalo Ribeiro Telles, 89 anos, considera que são muito pouco os governantes que conhecem bem o país. O arquitecto e político critica, em especial, o conhecimento que têm do mundo rural.

“Eu julgo que eles não conhecem bem o que é o problema do mundo rural. Tenho boa impressão [da ministra da Agricultura], não sei é se ela percorre o país. Não é percorrer o país de automóvel, é percorrer o país passo a passo. É preciso conhecer o país, conhecer a estrutura do país. A maior parte [dos governantes] não conhece o país, salvo honrosas excepções”, afirma o arquitecto paisagista em entrevista à Renascença.

Gonçalo Ribeiro Telles foi secretário de Estado do Ambiente de vários Governos provisórios, ministro da Qualidade de Vida e deputado. É monárquico - fundador do PPM - e um opositor do antigo regime. A ele se devem alguns dos diplomas fundamentais na área do ambiente e é um fervoroso defensor da união entre campo e cidade. É também um reconhecido arquitecto paisagista. Hoje, é homenageado na Fundação Calouste Gulbenkian, que o classifica como "homem de serviço" – uma referência que aceita.

“Não sei ainda serviço a quê, mas julgo que praticar um serviço com boas intenções e com determinados objectivos que são os outros, que são o local onde nascemos, que são a memória que conhecemos, se isso é um serviço, gosto de ser um homem de serviço”, afirma à Renascença.

Na entrevista, o fundador do PPM aborda, ainda, a questão da eliminação dos feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro, medida de que discorda: “Tirar dois feriados, um feriado tem um valor extraordinário para a economia do país? E uma desflorestação como está a fazer, destruindo aldeias, a ocupação por urbanismo das melhores terras de cultura, isso não interessa? Isso não conta para a economia do país?”,

Ribeiro Telles remata o assunto com um conselho: “Tenham juízo. Tratem de coisas mais importantes em termos do quotidiano e deixem ficar os feriados. Por amor de Deus!”.

Fonte: RR